Enquanto o Brasil continua abrindo novas pizzarias e registra milhões de pedidos todos os dias, comprar uma pizza ficou mais caro e passou a pesar mais no orçamento de parte das famílias.
Levantamentos da VR, da Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec), da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra) e do iFood mostram que o setor segue em crescimento, mas o consumidor precisou fazer mais contas antes de fazer o pedido.

Preço subiu 32% em três anos
Dados da VR mostram que o valor médio pago em pizzarias passou de R$ 45,47 em 2023 para R$ 59,98 em 2026, considerando o período entre janeiro e 15 de junho deste ano. Isso representa um aumento de 32% em apenas três anos.
As versões congeladas também ficaram mais caras. Segundo a VR, o preço médio passou de R$ 15,26 para R$ 18,05 no mesmo período, alta de 18,3%. Esse aumento já mudou o comportamento de muitos consumidores. Ainda de acordo com o levantamento, 50,5% dos brasileiros disseram que já deixaram de comprar o prato por causa do preço.
Mesmo assim, o consumo continua elevado. Entre janeiro de 2023 e junho de 2026, a VR registrou mais de 700 mil compras em pizzarias, que movimentaram mais de R$ 38 milhões. Nas compras de supermercado, foram identificadas mais de 390 mil pizzas congeladas, com movimentação superior a R$ 6,7 milhões.
Hoje a renda compra menos do que antes
Segundo o Índice Mozarela, desenvolvido pela Fatec e que mede quantas pizzas de muçarela uma família consegue comprar com sua renda média, em 2021, metade dos distritos paulistanos conseguia comprar 131 pizzas por mês com a renda familiar média. Em 2025, esse número caiu para 120.
Embora o levantamento tenha sido feito apenas na cidade de São Paulo, ele é considerado um retrato importante porque a capital concentra o maior mercado consumidor do país.

As diferenças também aparecem entre os bairros. No Alto de Pinheiros, a renda média permite comprar cerca de 313 pizzas por mês. Já no bairro Anhanguera, esse potencial cai para 73 mensais.
Os preços também variam bastante. Enquanto a pizza custa, em média, R$ 102,59 em Pinheiros, há bairros onde o valor fica próximo de R$ 40, como Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí.
Mesmo com preços maiores, número de estabelecimentos continua crescendo
Apesar do impacto no bolso do consumidor, o mercado segue aquecido. Segundo a Apubra, o Brasil terminou 2025 com 40.332 pizzarias em funcionamento, crescimento de 10,29% em relação ao levantamento anterior.
O setor também registrou o menor número de fechamentos da última década. Ao longo de 2025, 2.969 pizzarias encerraram as atividades, uma queda de 43,8% na comparação com 2024. Já entre janeiro e maio de 2026, foram abertas 1.990 novas pizzarias, alta de 6,1% sobre o mesmo período de 2025, sendo um novo estabelecimento a cada duas horas.
Hoje, o Brasil reúne mais de 40 mil pizzarias, com uma concentração de 32% dos estabelecimentos em São Paulo, mas o crescimento também tem avançado para outros estados.
Nem os preços mais altos diminuíram a paixão pelo prato
Mesmo com a alta dos preços, a ela continua fazendo parte da rotina dos brasileiros. Segundo dados do iFood, o país produz cerca de 2,78 milhões de pizzas por dia, o equivalente a quase 116 mil por hora.
Somente no primeiro semestre de 2026, a plataforma registrou 50 milhões de pedidos, uma média de 195 por minuto. O fim de semana continua sendo o período favorito para pedir o prato. Ainda de acordo com o iFood, 62% dos pedidos acontecem entre sexta-feira e domingo, e o sábado sozinho responde por mais de 21% da demanda semanal.
A forma de consumir também mudou. Hoje, cerca de 80% das pizzas vendidas na plataforma são meio a meio ou personalizadas, permitindo combinar sabores diferentes no mesmo pedido. Entre os sabores mais pedidos aparecem calabresa, frango com requeijão cremoso, marguerita, muçarela e portuguesa.


