Mesmo com a grande quantidade de anúncios de casas de apostas durante as transmissões da Copa do Mundo, mais brasileiros decidiram tomar uma atitude para evitar o jogo. Nas duas primeiras semanas do torneio, o número de pedidos de autoexclusão, que é o bloqueio do próprio CPF em plataformas de apostas legalizadas aumentou quase sete vezes em relação ao período anterior.
Os dados são da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, responsável pela ferramenta de autoexclusão criada pelo governo federal em dezembro do ano passado.

A medida foi criada para ajudar pessoas que desejam interromper ou evitar o acesso às plataformas de apostas, seja por perda de controle sobre o jogo ou por outros motivos pessoais.
Como funciona o bloqueio do CPF nas bets?
Quem solicita a autoexclusão passa a ter o CPF bloqueado em todas as empresas de apostas que operam legalmente no país. Depois que o pedido é processado, o usuário não consegue utilizar seus dados para fazer apostas nessas plataformas.
Desde que o serviço foi lançado, mais de 1 milhão de pessoas já aderiram ao sistema.
Durante o cadastro, o cidadão informa seus dados pessoais e escolhe por quanto tempo deseja permanecer bloqueado. O período pode ser por tempo indeterminado ou por um prazo definido, que varia entre um e 12 meses.
O objetivo é oferecer uma forma simples para quem deseja se afastar das apostas ou evitar que seu CPF seja utilizado nesses sites.
Motivos para o bloqueio mudaram durante a Copa
Além do aumento nos pedidos, o levantamento também mostrou uma mudança no motivo apresentado pelos usuários. Em maio, a principal justificativa para pedir a autoexclusão era a perda de controle sobre as apostas, razão apontada por 43% das pessoas que utilizaram a ferramenta.
Já nas duas primeiras semanas da Copa do Mundo, o motivo mais informado passou a ser a prevenção do uso dos dados pessoais em plataformas de apostas, escolhido por 29,5% dos usuários.
A perda de controle sobre o jogo continuou entre as principais razões, aparecendo em segundo lugar, com 24,13% das solicitações.
Os dados indicam que, além das pessoas que já enfrentam dificuldades com as apostas, cresce também o número de brasileiros que preferem impedir o acesso antes que o hábito se torne um problema.
Serviço também ajuda quem busca tratamento
Além da plataforma de autoexclusão, o governo mantém outra iniciativa voltada para pessoas que enfrentam dificuldades para controlar as apostas.
Além da plataforma de autoexclusão, o governo mantém outra iniciativa voltada para pessoas que enfrentam dificuldades para controlar as apostas. Quem precisa de orientação ou tratamento para compulsão por jogos pode contar com um serviço de teleatendimento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte das ações criadas para reduzir os impactos do crescimento das apostas on-line e ampliar o acesso ao atendimento especializado.
O aumento dos pedidos de bloqueio durante a Copa chama atenção justamente porque ocorreu em um período marcado pela forte divulgação das casas de apostas nas transmissões esportivas. Mesmo diante da intensa exposição às propagandas, mais brasileiros decidiram limitar o próprio acesso às plataformas legalizadas.
A ferramenta permite que cada pessoa escolha se deseja manter o bloqueio por um período entre um e 12 meses ou por tempo indeterminado, oferecendo mais controle para quem quer evitar novas apostas.


