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Laços, lideranças e o futuro: segundo dia da Rio Innovation Week coloca foco nas pessoas

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Passado o frenesi do primeiro dia, o público, então, pôde aproveitar mais e mais rápido os ambientes e discussões no segundo dia da Rio Innovation Week (RIW). A quarta-feira reuniu discussões sobre o futuro do design e da tecnologia, maternidade e liderança no alto escalão corporativo, representatividade feminina em cargos de gestão, independência artística na era digital e narrativas femininas nas artes.

Convivendo cada vez mais com o design sendo feito pelo homem — e foi a partir dessa constatação que Fábio Alencar, professor da FIAP, conduziu sua fala sobre o papel do design na relação entre pessoas e tecnologia. Para ele, não há como falar sobre experiência sem falar sobre comportamento humano, já que mudar um comportamento é muito mais difícil do que mudar uma tecnologia.

Alencar definiu tecnologia como “tudo o que transforma recurso em resultado” e lembrou que ela expandiu a vida do ser humano em mais de 20 anos. Ainda assim, segundo o professor, a tecnologia privada não teve adoção imediata por diversos motivos:

“Acho que a régua pra gente pensar o futuro é o quão difícil, o quanto de esforço o ser humano terá com a tecnologia”.

Ele defendeu que uma régua deve guiar o design de interfaces e orientar o desenvolvimento tecnológico, sempre considerando quanto esforço as pessoas precisarão fazer para se comunicar com a tecnologia. O papel do design na sociedade do futuro não é apenas fazer operar, mas orientar: pegar a capacidade técnica e traduzi-la com confiança.

Mãe e CEO: liderança, culpa e os novos equilíbrios da alta performance

Com uma plateia majoritariamente feminina, lotada e atenta — com muitas pessoas assistindo até mesmo em pé —, o painel reuniu executivas para discutir os desafios de conciliar maternidade e alta performance profissional.

Laços, lideranças e o futuro: segundo dia da Rio Innovation Week coloca foco nas pessoas
Dani de Jesus, CEO da Dabelle, contou como a maternidade mudou 100% a forma como ela enxerga o tempo dentro do escritório | Foto: Edu Carvalho / Super Finanças

Na trajetória, tornou-se mais empática com mães que vivem a dupla jornada e que trabalham presencialmente, e defendeu a construção de ambientes de duplo respeito — lugares onde as pessoas gostem de estar, com liberdade e flexibilidade para participar também de eventos dos filhos.

Izabel Barbosa, mãe de um bebê de 10 meses, trouxe a pergunta que resume o dilema de muitas executivas: como continuar performando sem adoecer? Ela contou que sempre foi uma pessoa centralizadora e achava que a maternidade reduziria sua atuação profissional — que ela iria “se apequenar”. Mas foi diferente: precisou aprender a delegar mais e a descentralizar atividades. Segundo Izabel, a maternidade tira a segurança da clareza e da certeza, e ensina a valorizar o próprio papel e a estruturar negócios mais saudáveis, que dependem cada vez menos de uma única pessoa e cada vez mais de um coletivo.

Mulheres que inspiram (e impulsionam) mulheres

Laços, lideranças e o futuro: segundo dia da Rio Innovation Week coloca foco nas pessoas
O painel discutiu a falta de lideranças femininas e o papel e a representação da liderança, defendendo que exercer liderança precisa vir acompanhado de intenção | Foto: Edu Carvalho / Super Finanças

Lindalia Junqueira, CEO, relatou a dificuldade de ser levada a sério no âmbito da liderança, o que a levou, inclusive, a mudar sua própria personalidade — adquirindo traços mais associados ao masculino — para ser levada a sério.

Vania Neves, com 22 anos de trajetória por posições de liderança em grandes empresas, teve na própria mãe sua referência de liderança. “Tá com medo? Vai com medo mesmo”. Para Vania, é preciso ter coragem para assumir desafios como líderes e generosidade para desenvolver outras pessoas.

Ana Rosa, especialista, reforçou o cenário de desigualdade ao lembrar que as mulheres que atuam no setor de tecnologia somam apenas 20% do total. Para ela, ao chegarem a altos cargos, é preciso ter aliados.

A tecnologia da minha independência: os bastidores da carreira de Karol Conká

No palco principal do RIW Pop Tech, o painel “A Tecnologia da Minha Independência: Os Bastidores de uma Carreira na Era Digital” recebeu Karol Conká, que compartilhou como utiliza as ferramentas digitais a seu favor para fortalecer a carreira, ampliar a conexão com o público e manter sua independência artística na era digital.

Laços, lideranças e o futuro: segundo dia da Rio Innovation Week coloca foco nas pessoas
Karol fez questão de contar que é centralizadora e cuida de tudo dentro da própria empresa, da rotina operacional ao planejamento | Foto: Edu Carvalho / Super Finanças

Aos 16 anos, foi estagiária da Prefeitura de Curitiba — experiência que ajuda a explicar por que entender a rotina operacional é fundamental para que os sucessos não caiam em golpes e armadilhas. “Eu gosto de pagar meus fornecedores em dia”, afirmou, ao falar também sobre a importância de contratos, de decisões bem tomadas, de ter um advogado e de ler com atenção cada contrato assinado.

A artista resumiu sua trajetória com uma frase sobre o que a move: “Eu tenho pavor de mesmice. Eu não queria só subir no palco e cantar, eu queria fazer a diferença”.

Quem conta o Brasil para si mesmo?

No palco Soft Power, o painel “Quem conta o Brasil para si mesmo? Mulheres, narrativas e o poder da representação” reuniu Débora Lamm, Júlia Spadacini e Benedita Case, com mediação de Victor Drummond, para falar sobre criações e narrativas femininas.

Benedita está em cartaz com uma peça escrita por Júlia Spadacini e dirigida por Débora Lamm, que retrata de forma sensível e leve a jornada de uma mulher que lida com a perda auditiva progressiva e a surdez oralizada.

Sobre o autor Edu Carvalho

Jornalista e apresentador. Com mais de uma década na comunicação, passou pela Globo, CNN, Revista Época. É colunista em Ecoa UOL e Projeto Colabora. Filho da Rocinha, cria do mundo.

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