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BNDES lucra R$ 9,2 bilhões e aumenta crédito no semestre

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, um aumento de 25% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o resultado chegou a R$ 17,1 bilhões.

Ao mesmo tempo em que ampliou o lucro, o banco aumentou o volume de financiamentos. Entre janeiro e junho, foram aprovados R$ 110,6 bilhões em crédito, alta de 52% sobre o mesmo período de 2025.

O BNDES também encerrou o semestre com R$ 1,05 trilhão em ativos totais, R$ 684 bilhões em sua carteira de crédito e R$ 180,5 bilhões em patrimônio líquido. Os resultados foram apresentados nesta quarta-feira, 12 de agosto, em São Paulo (SP).

BNDES lucra R$ 9,2 bilhões e aumenta crédito no semestre
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o desempenho mostra que a instituição conseguiu combinar o aumento das operações com uma rentabilidade elevada | Foto: Reprodução / Divulgação / BNDES

Infraestrutura e agro puxam crescimento

Entre os setores que mais ampliaram a procura por financiamento estão infraestrutura e agropecuária. As aprovações para infraestrutura chegaram a R$ 46 bilhões, crescimento de 91% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Para a agropecuária, foram aprovados R$ 24,8 bilhões, aumento de 46%. O valor representa o maior volume já registrado pelo BNDES para o setor em um primeiro semestre. O comércio e os serviços receberam R$ 17,3 bilhões, alta de 27%, enquanto a indústria teve R$ 22,5 bilhões aprovados, crescimento de 24%.

O apoio às micro, pequenas e médias empresas também aumentou. Entre janeiro e junho, foram destinados R$ 108,2 bilhões a esses negócios, contra R$ 88,8 bilhões no mesmo período de 2025, uma alta de 22%.

Além dos financiamentos concedidos diretamente pelo banco, o BNDES atua por meio do Fundo Garantidor de Investimento (FGI), que oferece garantias para operações feitas por outras instituições financeiras. Considerando essas operações, a injeção de crédito chegou a R$ 154 bilhões, sendo R$ 43,4 bilhões em garantias.

Procura por financiamento cresce

O aumento das aprovações veio acompanhado de uma procura maior pelos recursos. As consultas ao BNDES somaram R$ 237,7 bilhões no primeiro semestre, valor 72% superior ao registrado nos primeiros seis meses de 2025.

Os desembolsos, que correspondem ao dinheiro efetivamente liberado nas operações, alcançaram R$ 74,8 bilhões, alta de 37% em um ano.

Segundo Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, as aprovações realizadas nos últimos 12 meses corresponderam a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Os desembolsos chegaram a 1,4% do PIB, acima dos 1% registrados três anos atrás.

A inadimplência do banco permaneceu baixa. O percentual de operações com atraso superior a 90 dias ficou em 0,05%, abaixo dos índices registrados pelo Sistema Financeiro Nacional, que estavam em 4,68% no geral e 0,66% entre grandes empresas em junho de 2026.

Carteira de crédito chega a R$ 684 bilhões

A carteira de crédito expandida do BNDES alcançou R$ 684 bilhões em junho. O valor inclui financiamentos, repasses, debêntures e outros ativos ligados à concessão de crédito e representa crescimento de 14% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Desde dezembro do ano passado, o aumento foi de 3,1%.

Os ativos totais do Sistema BNDES chegaram a R$ 1,05 trilhão em 30 de junho, alta de 10% em relação a dezembro de 2025. O crescimento foi influenciado principalmente pelo aumento dos recursos mantidos em Tesouraria e pela expansão da carteira de crédito.

O banco também tinha R$ 85,4 bilhões em participações em empresas, com Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel entre os principais investimentos.

Lucro líquido fica em R$ 14,9 bilhões

Além do lucro recorrente, que exclui efeitos considerados fora do resultado normal das operações, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 14,9 bilhões no primeiro semestre. O valor representa crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.

Entre os resultados considerados nesse valor estão R$ 1,6 bilhão recebido em dividendos e juros sobre capital próprio de Petrobras e JBS. O banco também teve R$ 3,9 bilhões em ganhos com a venda de ações, sendo R$ 2,8 bilhões relacionados à Petrobras e R$ 0,8 bilhão à Copel.

O patrimônio líquido, que representa os recursos próprios da instituição, encerrou junho em R$ 180,5 bilhões, aumento de R$ 8,5 bilhões desde dezembro de 2025.

Já o Índice de Basileia ficou em 25,4%, ante 25,2% no fim de 2025. O indicador mostra quanto uma instituição financeira tem de capital para fazer frente aos riscos de suas operações. O resultado permaneceu acima do mínimo de 10,5% exigido pelo Banco Central.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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