A Petrobras anunciou na segunda-feira (17) a descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no litoral do Amapá, em uma região de águas profundas da Margem Equatorial brasileira. A área fica na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do estado.

A Petrobras precisa concluir a perfuração e realizar estudos para estimar o volume encontrado, analisar as características do reservatório e avaliar se a exploração comercial é possível.
O poço está localizado em uma área onde a profundidade do mar chega a 2.886 metros. A partir do fundo do oceano, a perfuração continua pelas camadas de rocha. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a perfuração já alcançou cerca de 3 mil metros abaixo da superfície do mar e outros 3 mil metros dentro das rochas. Ainda faltam aproximadamente 1 mil metros até a profundidade final do poço.
Inicialmente, a companhia informou, na sexta-feira, 14 de agosto, que havia identificado a presença de hidrocarbonetos durante a perfuração. Os hidrocarbonetos são substâncias presentes principalmente no petróleo e no gás natural e são usados como matéria-prima para produtos como combustíveis, plásticos e borrachas.
O que a descoberta significa?
A identificação de petróleo em um poço exploratório não significa que já exista uma reserva comercialmente explorável. Para chegar a essa conclusão, a Petrobras ainda precisa terminar a perfuração e realizar estudos sobre o volume e as características do reservatório.
Também será necessário avaliar se a retirada do petróleo pode ser feita de maneira técnica e economicamente viável. Por isso, o anúncio representa uma descoberta durante a fase de exploração, e não o início imediato da produção.
Desde agosto do ano passado, quando começou a atual campanha exploratória na região, a Petrobras já investiu US$ 3 bilhões, cerca de R$ 15,6 bilhões. As operações de exploração têm custo de aproximadamente US$ 1 milhão por dia, aproximadamente R$ 5,2 milhões por dia, segundo a presidente da estatal.
A Petrobras é responsável pela exploração da área e possui 100% de participação no bloco. A empresa adquiriu o direito de explorar o local na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, pelo regime de concessão.
Petrobras prevê novos poços na região
Essa descoberta no poço Morpho reforça a estratégia da Petrobras de buscar novas reservas de petróleo e gás em áreas de fronteira exploratória. A empresa pretende continuar as atividades na Margem Equatorial e já possui outros poços previstos no programa exploratório da região.
A Petrobras também protocolou no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pedidos de licenciamento para novas perfurações na Margem Equatorial.
A exploração da região está relacionada à estratégia da companhia de recompor suas reservas de petróleo e gás por meio de áreas de fronteira, com o objetivo de atender à demanda nacional de energia durante a transição energética.
Petróleo e transição energética
A descoberta também ocorre em meio à discussão sobre o papel do petróleo na transição energética brasileira. Durante visita ao Amapá nesta segunda-feira, 17 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que a busca por novas áreas de produção não significa abandonar os investimentos em fontes renováveis.
“O país vai continuar sendo o país da inovação dos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, disse Lula.
Segundo as informações apresentadas pelo presidente, a estratégia é manter investimentos em biocombustíveis e outras fontes de energia renovável enquanto o país avalia o potencial de novas áreas para produção de petróleo.
Para a Petrobras, a exploração da Margem Equatorial faz parte da recomposição das reservas e da busca por segurança energética durante a transição energética. No caso do poço Morpho, porém, ainda será preciso concluir a perfuração e os estudos antes de saber qual poderá ser o tamanho e a importância econômica da descoberta.


