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Sonho de viver em Portugal vira desilusão e pedidos de brasileiros para voltar ao Brasil sobem 52%

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O sonho de viver em Portugal tem terminado de forma diferente para um número cada vez maior de brasileiros. Até julho de 2026, 470 brasileiros pediram ajuda para deixar o país e retornar ao Brasil por meio do programa Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração.

Sonho de viver em Portugal vira desilusão e pedidos de brasileiros para voltar ao Brasil sobem 52%
O número de pedidos de apoio já supera as 432 inscrições registradas durante todo o ano de 2024, quando o programa começou no formato atual | Foto: Reprodução / Canva

A procura também cresceu em relação ao ano passado. Segundo os relatórios da Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade responsável pela organização do programa, os brasileiros fizeram, em média, 44 pedidos por mês em 2025. Em 2026, a média subiu para 67 solicitações mensais, uma alta de 52%.

O programa é voltado para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, independentemente da região onde vivem ou de estarem com a situação migratória regularizada. Isso significa que o apoio pode ser solicitado tanto por quem está com a documentação em situação regular quanto por quem enfrenta problemas para permanecer legalmente no país.

Brasileiros são maioria entre os pedidos

Pessoas de diferentes nacionalidades recorrem ao programa, incluindo cidadãos da Venezuela, Sri Lanka e Moçambique. Os brasileiros, porém, concentram a maior parte dos atendimentos.

O Brasil reúne 30% dos imigrantes em Portugal, mas responde por 80% dos pedidos de retorno registrados pelo programa. A presença de famílias também aparece nos números. Quase todas as crianças atendidas são brasileiras e, em 2025, 85 crianças retornaram ao Brasil com esse apoio oficial.

O cenário mostra que a decisão de deixar Portugal não envolve apenas pessoas que foram ao país sem documentação ou sem emprego garantido. Entre os brasileiros que decidiram voltar estão perfis diferentes: há quem tenha chegado de forma irregular e enfrentado dificuldades para conseguir trabalho e documentos, mas também quem tenha desembarcado com visto e emprego certo e, depois, tenha encontrado problemas com o custo de vida e de moradia.

Como funciona o apoio para voltar ao Brasil?

O Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração oferece a passagem aérea para o país de origem e uma ajuda de custo de 70 euros, valor equivalente a cerca de R$ 415 pela cotação comercial de 10 de setembro de 2026. A passagem e o dinheiro são entregues diretamente ao beneficiário, em mãos, no dia da viagem, por um funcionário do programa.

Nem todas as pessoas que fazem a inscrição, porém, chegam ao fim do processo. A porcentagem de retornos concretizados costuma ficar em torno de metade dos inscritos.

A Organização Internacional para as Migrações não detalha os motivos de cada processo, mas existem obstáculos para conseguir o benefício. Um deles é a necessidade de comprovar a vulnerabilidade econômica e mostrar que a pessoa não tem condições de pagar a própria volta.

Quem volta fica três anos sem poder entrar na Europa

A decisão de aceitar o auxílio também tem uma consequência importante: quem participa do programa fica três anos impedido de entrar em Portugal e em qualquer outro país do Espaço de Schengen, área de livre circulação que reúne 29 países europeus.

Essa regra pesa na decisão de alguns brasileiros. Isso acontece porque, depois da experiência em Portugal, o plano de algumas pessoas pode mudar do retorno ao Brasil para a tentativa de viver em outro país europeu.

Nesse caso, aceitar a ajuda significaria também abrir mão dessa possibilidade durante três anos. Por isso, algumas pessoas preferem esperar, fazer algum sacrifício e tentar se reorganizar por conta própria antes de deixar Portugal, mantendo a possibilidade de seguir para outro destino europeu.

A volta ao Brasil nem sempre significa fracasso

As histórias de brasileiros decepcionados com a vida em Portugal têm aparecido com mais frequência entre os inscritos no programa. Os motivos são diferentes, mas o resultado pode ser o mesmo: a decisão de abandonar o projeto de viver no país e retornar ao Brasil.

Para alguns, a dificuldade começa ainda na tentativa de conseguir emprego e regularizar a documentação. Para outros, a mudança parecia mais segura porque já havia visto e trabalho garantidos, mas a realidade encontrada depois da chegada não correspondeu ao que esperavam, principalmente diante dos gastos com moradia e do custo de vida.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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