Um vídeo aparece no celular. A imagem parece real, a voz combina com a pessoa e a mensagem vem acompanhada de uma frase alarmante: “Olha o que aconteceu nas eleições”. Antes de encaminhar para família e amigos, vale parar por alguns minutos. Na corrida eleitoral, uma informação falsa pode se espalhar rapidamente pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, influenciar opiniões e até envolver golpes que atingem diretamente o bolso.
As fake news, expressão usada para falar de notícias falsas, podem aparecer em textos, fotos, áudios e vídeos.

Para ajudar o eleitor a separar informação verdadeira de conteúdo enganoso, a Justiça Eleitoral mantém a página Fato ou Boato, que foi reformulada e atualizada para as Eleições 2026. Criada em setembro de 2020, a plataforma reúne checagens e materiais educativos sobre informações relacionadas ao processo eleitoral.
Título chamativo é um primeiro sinal de alerta
Uma mensagem que chega com um título bombástico pode despertar a curiosidade e a vontade de compartilhar. Esse é justamente um dos momentos em que o leitor deve desacelerar.
Nem sempre o título corresponde ao que está escrito no restante da publicação. Por isso, a orientação é ler o conteúdo completo, verificar a fonte e procurar a mesma informação em outros veículos.
Erros de português também merecem atenção. Textos jornalísticos passam por revisão antes de serem publicados, então uma publicação cheia de erros ortográficos ou gramaticais pode ser um sinal de que algo não está certo.
Outro cuidado envolve textos que apresentam opinião como se fossem notícias. Artigos de opinião devem ser assinados pelo autor. Em uma entrevista, a opinião do entrevistado também precisa ser apresentada de maneira imparcial pelo veículo.
Uma notícia pode ser verdadeira e ainda assim enganar
O conteúdo nem sempre é inventado do zero. Uma notícia verdadeira, mas antiga, pode voltar a circular como se tivesse acontecido recentemente e acabar provocando uma interpretação errada.
Verificar a data da publicação é, portanto, uma das etapas da conferência. Também vale procurar a fonte original para descobrir quando o fato realmente aconteceu.
O endereço do site é outro detalhe que pode passar despercebido. Existem páginas com links que parecem pertencer a veículos tradicionais, mas levam para outros sites. A recomendação é conferir cuidadosamente a URL, que é o endereço eletrônico da página, antes de acreditar no conteúdo.
Sites e canais desconhecidos também exigem atenção. Uma maneira de conferir a informação é procurar se outros veículos publicaram a mesma notícia.
Vídeos e imagens também podem ser manipulados
A inteligência artificial tornou a checagem ainda mais importante. Entre os conteúdos que podem ser criados ou alterados estão vídeos, imagens e áudios capazes de simular situações que não aconteceram ou falas que nunca foram feitas.
Os deepfakes, por exemplo, são vídeos, imagens ou áudios manipulados para se parecerem bastante com o material original. Em vídeos, alguns sinais podem levantar suspeitas, como movimentos estranhos ou travados e falta de sincronização entre a fala, os lábios e as expressões faciais.
No caso das imagens, uma alternativa é fazer uma busca reversa. Ferramentas como Google Imagens e Bing permitem carregar uma foto e verificar onde ela já apareceu na internet ou se existe algum desmentido relacionado àquele conteúdo.
Mesmo quando o material parece convincente, a recomendação é não confiar apenas no que os olhos ou os ouvidos mostram. A tecnologia pode produzir resultados cada vez mais parecidos com a realidade.
Redes sociais ajudam a espalhar fake news
A velocidade das redes sociais e dos aplicativos de mensagens ajuda a explicar por que uma informação enganosa pode alcançar muitas pessoas em pouco tempo. Uma mensagem compartilhada por alguém conhecido e em quem o destinatário confia tende a ganhar ainda mais credibilidade.
O problema pode crescer quando o conteúdo confirma algo que a pessoa já acredita. Nesse ambiente, a concordância com a mensagem pode acabar sendo considerada mais importante do que descobrir se ela é verdadeira ou de onde veio.
Esse cenário também permite a atuação de diferentes tipos de perfis. Há robôs, contas falsas alimentadas por algoritmos; ciborgues, perfis utilizados parte por robôs e parte por pessoas; robôs políticos, contas de militantes conectadas a campanhas e alimentadas automaticamente; e ativistas em série, pessoas reais que são muito ativas politicamente nas redes.
A tecnologia também permite direcionar mensagens para públicos específicos. Informações sobre eleitores podem ser usadas em campanhas políticas para identificar medos, desejos e ambições e direcionar mensagens de acordo com essas características.
Justiça Eleitoral mantém página para checar informações
Quem receber uma informação suspeita sobre as eleições pode consultar a página Fato ou Boato, mantida pela Justiça Eleitoral. A plataforma reúne conteúdos produzidos por instituições e agências de checagem que participam da rede nacional de verificação de informações sobre o processo eleitoral.
É possível pesquisar checagens e utilizar filtros por categorias, instituições e períodos. A página também apresenta os conteúdos verificados mais recentes e materiais com orientações para identificar informações falsas.
A Justiça Eleitoral mantém ainda o Sistema de Alerta de Desinformação Eleitoral (SIADE), que recebe denúncias sobre conteúdos falsos relacionados a candidaturas e partidos, à urna e ao processo eleitoral, além de discursos de ódio, ataques à democracia e deepfakes sobre eleições.
A rede de parceiros do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação reúne dez instituições e agências de checagem: AFP, Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, Comprova, E-farsas, Estadão Verifica, Fato ou Fake, Justiça Eleitoral e UOL Confere.
Antes de compartilhar, faça uma checagem
A regra mais simples é também uma das mais importantes: se uma mensagem sobre as eleições provocar dúvida, não compartilhe antes de verificar.
Comece pela fonte, leia o conteúdo inteiro, confira a data e observe o endereço do site. Se houver foto ou vídeo, procure sinais de manipulação e faça uma busca para descobrir a origem do material. Depois, veja se agências de checagem ou canais institucionais já analisaram aquela informação.
O eleitor também pode recorrer aos canais do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além da página Manda a Real, iniciativa da Secretaria de Comunicação Social do MPF que reúne orientações para identificar conteúdos falsos.
Quando uma informação falsa circula sobre a eleição, a consequência não fica apenas na tela do celular. A desinformação pode afetar a maneira como as pessoas formam sua opinião e tomam decisões. Em uma eleição, verificar antes de acreditar e compartilhar é uma forma de evitar que uma mensagem enganosa chegue a mais pessoas — e também de proteger o próprio bolso quando o conteúdo estiver ligado a golpes.
A Justiça Eleitoral também estabelece regras para o combate à desinformação durante as eleições. A divulgação e o compartilhamento de fatos sabidamente falsos ou descontextualizados que atinjam o processo de votação são proibidos. A produção sistemática desse tipo de conteúdo pode levar à suspensão temporária de perfis, contas e canais em redes sociais.
Conteúdos manipulados por inteligência artificial também estão sujeitos a regras específicas. Os deepfakes são proibidos, enquanto conteúdos sintéticos multimídia precisam ser identificados conforme as regras apresentadas pela Justiça Eleitoral.
Nas eleições, uma mensagem que parece apenas mais uma publicação nas redes pode ter efeitos muito maiores. Antes de apertar “encaminhar”, vale fazer uma pergunta simples: isso foi realmente publicado por uma fonte confiável ou apenas parece verdadeiro?


