O número de trabalhadores afastados por problemas relacionados ao esgotamento profissional, conhecido como burnout, aumentou 296% entre 2023 e 2025, segundo dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os afastamentos por problemas relacionados à organização do modo de vida passaram de 1.760 para 6.985 no período. O levantamento considera trabalhadores que ficaram afastados por mais de 15 dias, o que indica que a quantidade de pessoas afetadas pode ser maior, já que casos de afastamento mais curto ou situações que sequer chegam a ser comunicadas ao empregador não entram nesse número.

Pressão, excesso de trabalho e dificuldade para se desligar das atividades depois do expediente aparecem entre os desafios enfrentados por trabalhadores e empresas.
Mensagens fora do expediente ainda são comuns
Mesmo depois do fim da jornada, muitos profissionais continuam conectados ao trabalho. Um levantamento da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), feito com representantes de empresas que, juntas, reúnem 300 mil funcionários, mostra que 89% das organizações não têm regras para impedir o envio de mensagens fora do horário de trabalho.
A falta de medidas preventivas também aparece nos resultados. 65% dos entrevistados afirmaram que suas empresas não possuem programas para prevenir riscos à saúde mental dos funcionários.
A dificuldade de estabelecer uma separação entre vida profissional e pessoal pode se tornar ainda mais relevante em um cenário de aumento dos afastamentos relacionados ao esgotamento. O burnout, porém, é um problema de saúde multifatorial e não está ligado a uma única causa.
Empresas terão de olhar para os riscos à saúde mental
Uma mudança nas regras de segurança e saúde no trabalho passou a colocar o tema no radar das empresas. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu fatores de risco à saúde mental na NR-1, norma que estabelece regras de segurança e saúde para os trabalhadores.
A alteração entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e determina que as empresas reconheçam e controlem situações que podem provocar sofrimento psíquico no ambiente profissional.
Entre os exemplos estão assédio, pressão exagerada por metas, jornadas extensas e problemas de comunicação interna. A avaliação de especialistas é que a medida pode ajudar diante do aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental.
A proposta muda o foco da discussão: além de lidar com o trabalhador que já apresenta sinais de esgotamento, as empresas passam a ter de prestar atenção às condições que podem contribuir para esse tipo de problema.
Prevenção depende de vários fatores
Por ser um problema multifatorial, o burnout não tem uma única medida capaz de impedir todos os seus sintomas e consequências. Por isso, a prevenção envolve diferentes aspectos do bem-estar.
Hábitos de vida saudável podem contribuir para a qualidade de vida como um todo, mas os dados também colocam em evidência a importância das condições oferecidas no próprio ambiente profissional.
O aumento dos afastamentos mostra que o esgotamento deixou de ser apenas uma expressão usada informalmente para descrever uma rotina cansativa. Entre 2023 e 2025, o número de afastamentos registrados nesse grupo praticamente quadruplicou, reforçando a importância de discutir como o trabalho pode afetar a saúde dos profissionais.

