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Compras internacionais disparam após fim da taxa das blusinhas

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As compras de pequenas encomendas em sites estrangeiros cresceram 67% entre junho e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Receita Federal compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O avanço ocorreu depois que o imposto de importação de 20% para compras de até US$ 50, cerca de R$ 259, foi zerado.

Nos três meses, os brasileiros receberam US$ 1,61 bilhão, cerca de R$ 8,2 bilhões, em mercadorias, contra US$ 867 milhões, aproximadamente R$ 4,48 bilhões, no mesmo período de 2025, em valores corrigidos. Entre as plataformas usadas estão Shein, Shopee e AliExpress.

Compras internacionais disparam após fim da taxa das blusinhas
O aumento ajuda a explicar por que a mudança no imposto interessa diretamente ao consumidor, às plataformas estrangeiras e às empresas brasileiras | Foto: Reprodução / Canva

De um lado, comprar de fora ficou mais barato com a retirada da cobrança. De outro, a indústria nacional afirma que passou a disputar clientes com produtos que recebem um tratamento tributário diferente.

O que acontece quando você faz uma compra de fora?

Quando uma pessoa compra uma roupa, um acessório ou outro produto em uma plataforma estrangeira, o dinheiro pago não fica apenas com o vendedor. A operação movimenta uma cadeia que envolve comércio eletrônico, pagamento, transporte, logística e entrega da mercadoria.

Com o imposto de importação zerado para compras de até US$ 50, cerca de R$ 259, o preço final fica mais baixo do que ficaria com a cobrança de 20%. Isso pode estimular mais pessoas a adquirir produtos estrangeiros, aumentando o volume de encomendas que entram no país.

A média mensal de remessas passou de 15,4 milhões nos quatro primeiros meses de 2026 para 20 milhões em maio, mês em que o imposto foi retirado. Em junho, chegou a 28 milhões e permaneceu acima de 26 milhões em julho e agosto.

Em valores, a média das compras passou de cerca de R$ 1,58 bilhão entre janeiro e abril para aproximadamente R$ 2,67 bilhões nos quatro meses seguintes.

Por que a indústria brasileira reclama da mudança?

A Abit, que representa a indústria têxtil e de confecção, afirma que o fim do imposto aumentou a diferença entre o custo de produtos importados e o de mercadorias fabricadas no Brasil.

Segundo a entidade, uma empresa brasileira precisa pagar tributos, manter trabalhadores dentro das regras trabalhistas e cumprir normas ambientais, sanitárias e de segurança. Na avaliação da associação, produtos estrangeiros vendidos por meio de pequenas encomendas não enfrentam todas essas exigências da mesma forma.

O setor também aponta reflexos sobre a produção e o emprego. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela Abit, a produção têxtil caiu 6,8% e a de confecção recuou 8,2% em julho de 2026, na comparação com julho de 2025. Até junho, o setor havia perdido mais de 13 mil postos formais de trabalho.

A cadeia reúne mais de 25 mil empresas com cinco ou mais empregados e aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos, segundo a associação.

Por que o consumidor pode querer pagar menos imposto?

Para quem compra, a conta é mais simples: um imposto menor pode reduzir o preço final da mercadoria. Se uma pessoa encontra no exterior um produto mais barato mesmo considerando frete e outros custos, a retirada da cobrança pode tornar a compra mais atrativa.

Isso também ajuda a explicar o crescimento das encomendas. Em agosto, foram registradas 26,5 milhões de remessas internacionais, contra 15,2 milhões no mesmo mês de 2025, uma alta de 74%. Em dinheiro, o valor passou de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões, aumento de 79%.

Esse crescimento não significa apenas mais pacotes chegando às casas. Ele representa mais dinheiro sendo gasto em produtos estrangeiros e menos recursos direcionados para mercadorias nacionais que concorrem pela mesma compra.

É justamente nesse ponto que aparecem interesses diferentes. Para o consumidor que encontra um produto mais barato, a redução do imposto pode representar uma economia. Para a indústria brasileira que fabrica produtos semelhantes, a concorrência pode ficar mais difícil.

A Abit afirma que não é contra as importações ou o comércio eletrônico. A entidade defende que produtos nacionais e estrangeiros tenham condições tributárias e regras equivalentes para disputar o consumidor.

A discussão, portanto, não envolve apenas o preço de uma compra individual. Quando milhões de pessoas mudam onde gastam seu dinheiro, isso pode alterar o movimento de lojas, fábricas, transportadoras, plataformas de comércio eletrônico e fornecedores. Por isso, a mudança no imposto afeta tanto o bolso de quem compra quanto as empresas que dependem dessas compras para produzir, vender e empregar.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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