Os canais FAST, ou TV conectada, já reúnem cerca de 400 canais no Brasil. Seguindo um movimento observado em outros mercados, esse número cresce e o modelo vem ganhando espaço no país, deixando de ser visto apenas como um mercado experimental e adquirindo escala, audiência e dados para mensurar o comportamento do público. Esse foi o principal assunto da mesa “Fast Channels: O que o público quer ver?”, que ocupou um dos palcos do RioMarket 2026 nesta segunda-feira, 5 de outubro.

O projeto, que também conta com um portal de notícias, começou a ser desenvolvido em 2023 e combina educação financeira, entretenimento e informação. Segundo ele, a entrada no mercado FAST também representa uma oportunidade de transformar a produção de conteúdo em negócio.
“Precisamos entender a TV conectada como um negócio no Brasil que ninguém está prestando atenção”, afirmou.
Para Luciana, head de Distribuição e Parcerias da OTTera Media Group!, o avanço dos canais FAST acompanha uma transformação na forma como o público consome conteúdo. Segundo ela, a fragmentação do streaming também abre espaço para criadores e produtores de nicho que antes tinham dificuldade para ocupar uma programação 24 horas por dia, sete dias por semana.
Nesse contexto, a OTTera atua assumindo parte da tecnologia e da operação, permitindo que esses players concentrem esforços na produção de conteúdo e na construção de sua audiência.
“Possibilita esse espaço tanto para o criador de conteúdo quanto para essa audiência que fica procurando conteúdos fragmentados. Agora ela consegue acessar esse conteúdo do canal 24/7”, compartilhou ela.
Esse processo de amadurecimento também passa pela capacidade de medir quem está assistindo a esses canais. Gabriela Vitral, gerente comercial regional do Sul e Sudeste do INOP, compartilhou que a empresa hoje atua como uma companhia de inteligência de dados, reunindo informações sobre audiência, mercado publicitário e hábitos de consumo da população brasileira.
Para Gabriela, a consolidação dessas informações permite que canais, agências e anunciantes passem a tomar decisões baseadas em dados de consumo e audiência. Ela destacou que o brasileiro é um consumidor intenso de conteúdo: a proporção de heavy users de conteúdo no país é 15% maior do que a média global, segundo a gerente comercial.
Audiência, dados e investimento impulsionam profissionalização dos canais FAST
O movimento também aparece nos números do SuperFinanças. Em 45 dias de operação, o canal ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores, segundo dados apresentados durante o painel. Para o diretor-executivo AD Junior, o resultado está relacionado a uma construção que envolve diferentes frentes, da produção de conteúdo à estrutura necessária para manter o canal no ar, incluindo a contratação de profissionais capacitados.
A profissionalização é apontada como uma das mudanças no mercado de canais FAST. Para Lucas Corazzini, gerente de programação da TCL, o modelo deixou para trás a lógica de um grande agregador de conteúdos e passou a exigir uma programação pensada, com curadoria e um padrão mínimo de qualidade. “O canal de FAST não é mais uma playlist”, afirmou. Segundo ele, o público já procura esse tipo de conteúdo e o desafio está em conectar essa audiência a produções qualificadas.

Gabriela Vitral, gerente comercial regional do Sul e Sudeste do INOP, define a empresa como uma companhia de inteligência de dados que reúne informações sobre audiência, mercado publicitário e hábitos de consumo. A ferramenta Cross Platform View (CPV), utilizada pelo instituto, reúne dados de televisão aberta, fechada, canais FAST e streaming, permitindo acompanhar o consumo de vídeo em diferentes plataformas.
O investimento necessário para construir esse tipo de operação, que vai além da criação do canal, também foi um tópico de destaque durante a mesa. Ao abordar a experiência com o SuperFinanças, AD destacou que o projeto exigiu um investimento de alguns milhões de reais e uma estrutura formada por profissionais que já atuavam na televisão. Produzir conteúdos em quantidade e qualidade, além de desenvolver programas e ferramentas próprias, faz parte de um modelo que busca transformar o canal em um negócio sustentável a longo prazo.


