As ações da Americanas (AMER3) fecharam em alta de 15,58% na última terça-feira, 20 de outubro, cotadas a R$ 6,90, após a Justiça do Rio de Janeiro decretar o encerramento da recuperação judicial do grupo.
Durante o pregão, os papéis chegaram a subir 22% na abertura e atingiram R$ 7,50. A decisão foi anunciada na segunda-feira, 19 de outubro, após a Justiça considerar cumpridas as obrigações do plano de recuperação com vencimento nos dois primeiros anos após sua homologação.

Depois que vieram à tona irregularidades contábeis que provocaram um rombo estimado em R$ 20 bilhões, a empresa informou ter dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões, o que levou à reestruturação dos débitos com credores.
A reação do mercado também foi observada no pregão (período em que a bolsa de valores funciona e os investidores podem comprar e vender ações e outros investimentos) anterior à alta desta terça.
Na segunda-feira, 19 de outubro, quando a decisão judicial foi divulgada, as ações da Americanas fecharam com valorização de 6,99%, a R$ 5,97. O resultado de terça-feira, 20 de outubro, representou o primeiro pregão completo após o anúncio do fim da recuperação judicial.
O que significa o fim da recuperação judicial?
A recuperação judicial é um processo utilizado por empresas em dificuldades financeiras para reorganizar suas dívidas e cumprir um plano de pagamento negociado com credores, com acompanhamento da Justiça. No caso da Americanas, o plano foi aprovado em dezembro de 2023 e homologado judicialmente em fevereiro de 2024.
Em 25 de março de 2026, a companhia pediu o encerramento do processo, alegando ter cumprido todas as obrigações do plano que venceram dentro do prazo de dois anos contado da homologação. A 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro acolheu o pedido na segunda-feira (19), após manifestações favoráveis da administração judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A decisão declarou cumpridas as obrigações previstas no plano com vencimento nesse período e determinou que os órgãos responsáveis adotem as providências necessárias para retirar a expressão “em Recuperação Judicial” dos nomes das empresas do grupo nos registros oficiais.
Isso não significa, porém, que todas as questões financeiras e judiciais envolvendo a varejista estejam definitivamente resolvidas. A sentença ainda pode ser contestada por meio de recurso, e disputas relacionadas a créditos e pagamentos poderão continuar sendo discutidas na Justiça.
Credores ainda podem questionar pagamentos
A sentença analisou objeções apresentadas por credores, incluindo detentores de títulos emitidos no exterior, conhecidos como bondholders, além de fornecedores e prestadores de serviços. Entre os questionamentos estavam divergências sobre valores e condições de pagamento previstos no plano.
O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira rejeitou as objeções que, segundo a decisão, não demonstraram descumprimento das obrigações que precisavam ser cumpridas dentro do prazo considerado para encerrar a recuperação judicial.
O magistrado também ressaltou que o encerramento do processo não retira os direitos dos credores caso identifiquem o descumprimento de alguma obrigação prevista no plano. Nessa situação, eles poderão buscar judicialmente o cumprimento do pagamento ou até requerer a falência da empresa, conforme as condições legais aplicáveis.
A decisão também esclarece que a conclusão da recuperação judicial não depende de todos os credores estarem definitivamente consolidados em uma única relação. Pedidos de habilitação e questionamentos sobre créditos que continuam pendentes podem seguir em processos próprios.
Assim, o encerramento representa o cumprimento de uma etapa específica da reestruturação financeira, mas não impede novas discussões judiciais sobre obrigações individuais.
Como começou a crise da Americanas?
A recuperação judicial foi iniciada em janeiro de 2023, depois da divulgação de inconsistências contábeis bilionárias. A crise levou a empresa a reorganizar seus compromissos financeiros e negociar condições para pagar os credores.

Com a homologação em fevereiro de 2024, começou a contar o período de dois anos utilizado como referência para verificar o cumprimento das obrigações necessárias ao encerramento.
Em comunicado ao mercado, a Americanas classificou a decisão como um marco importante em sua trajetória e afirmou que ela inaugura uma nova etapa dos negócios. A companhia também agradeceu aos funcionários, fornecedores, clientes e demais parceiros pelo apoio durante o período de dificuldades.
A empresa declarou que seguirá comprometida com o crescimento das operações, o fortalecimento de seu modelo de negócios e a melhoria da experiência dos clientes.


