Cinco meses após deixar a recuperação judicial, a Americanas ainda enfrenta dificuldades para recuperar os resultados financeiros. A varejista registrou prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, conforme balanço divulgado na quarta-feira, 12 de agosto.
O resultado representa uma redução das perdas em relação ao primeiro trimestre, quando o prejuízo foi de R$ 329 milhões. Apesar da melhora, o valor ficou quase três vezes acima do prejuízo de R$ 98 milhões registrado no mesmo período de 2025.
A receita líquida da companhia somou R$ 3,3 bilhões entre abril e junho, queda de 1,7% na comparação anual.

Resultado operacional da Americanas também recua
Outro indicador importante do balanço apresentou queda. O Ebitda, sigla usada para medir o resultado das operações antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 145 milhões no segundo trimestre.
O valor representa uma redução de 51,5% em relação aos R$ 299 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Em relatório divulgado junto aos resultados, a companhia afirmou que entrou em um “novo ciclo estratégico” e destacou a busca por maior disciplina financeira a partir do desempenho das operações.
O resultado ocorre poucos meses depois do encerramento da recuperação judicial, processo utilizado por empresas com dificuldades financeiras para reorganizar dívidas e continuar funcionando enquanto cumprem um plano de pagamento aprovado pela Justiça.
Recuperação judicial foi encerrada em 2026
A crise da Americanas veio a público em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa informou ter identificado inconsistências em seus registros contábeis, inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.
Os problemas envolviam, entre outros pontos, operações de risco sacado. Nesse tipo de operação, uma instituição financeira antecipa o pagamento de uma dívida da empresa com fornecedores e passa a cobrar o valor posteriormente. No caso da varejista, essas obrigações não teriam sido apresentadas corretamente nos balanços, afetando a dimensão do endividamento informado.
A revelação provocou forte reação no mercado financeiro. No dia seguinte, as ações da companhia chegaram a registrar uma das maiores quedas diárias de uma empresa de capital aberto no Brasil, encerrando o pregão com baixa de 77,33%.
Também surgiram investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada, conhecidas como VPCs, além de operações com ações da empresa realizadas por executivos antes da divulgação do problema.
Pouco mais de uma semana após a revelação das inconsistências, em 19 de janeiro de 2023, a Americanas entrou com pedido de recuperação judicial. Naquele momento, a companhia informou ter cerca de R$ 800 milhões em caixa, bem abaixo dos R$ 8,6 bilhões apresentados no balanço do terceiro trimestre de 2022.
O processo envolveu dívidas superiores a R$ 50 bilhões e se tornou um dos maiores casos de recuperação judicial da história empresarial brasileira.
Em março de 2026, a empresa informou ter cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial que tinham vencimento até dois anos após sua homologação. Com isso, protocolou o pedido para encerrar o processo.
A Justiça aceitou a solicitação, encerrando formalmente a recuperação judicial. O balanço divulgado agora, porém, mostra que a saída do processo não eliminou as dificuldades financeiras da companhia: no primeiro semestre de 2026, as perdas chegaram a R$ 603 milhões, somando os prejuízos dos dois primeiros trimestres.


