A Holanda anunciou nesta segunda-feira , 26 de outubro, a intenção de investir US$ 500 milhões, cerca de R$ 2,75 bilhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O valor será repassado ao longo de dez anos, e não de uma só vez. A iniciativa busca fortalecer a proteção das florestas tropicais e contribuir para o combate às mudanças climáticas e a preservação da biodiversidade.
Com o anúncio, a Holanda se junta a um grupo de países que já manifestaram intenção de contribuir para o fundo, entre eles Brasil, Noruega, Luxemburgo, Indonésia, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido.

O ministro holandês do Comércio Exterior e da Cooperação para o Desenvolvimento, Sjoerd Sjoerdsma, afirmou que a conservação das florestas é essencial para enfrentar as mudanças climáticas e proteger os ecossistemas.
“Isso reduz as emissões e é essencial para a resiliência dos ecossistemas, da biodiversidade e do abastecimento alimentar global. Por meio deste compromisso, oferecemos aos países um incentivo sólido e previsível para proteger e conservar suas florestas tropicais”, declarou.
O que é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre?
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre foi idealizado pelo Brasil e anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), realizada em Dubai. O lançamento oficial ocorreu em 2025, durante a COP30, em Belém, no Pará.
A proposta é criar uma fonte contínua de recursos para países que mantêm suas florestas tropicais preservadas. Em vez de depender apenas de doações ou de financiamentos destinados a projetos específicos, o fundo prevê pagamentos vinculados aos resultados da conservação ambiental.
A iniciativa pretende proteger mais de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais em mais de 70 países. Entre os possíveis beneficiários estão Brasil, Colômbia, Peru, Indonésia, República Democrática do Congo e Gana.
Como o fundo funciona?
O TFFF combina investimentos de governos e do setor privado. O dinheiro captado será aplicado em investimentos financeiros, e os rendimentos ajudarão a financiar os pagamentos aos países que conservarem suas florestas.
Os investidores que comprarem títulos emitidos pelo fundo receberão juros fixos e estáveis. Já os países com florestas tropicais poderão receber recursos de acordo com os resultados alcançados na preservação ambiental.
Para verificar se as áreas continuam protegidas, o mecanismo prevê o uso de imagens de satélite. Os países que mantiverem suas florestas dentro dos limites estabelecidos poderão receber pagamentos. Em contrapartida, o desmatamento ou a degradação florestal resultarão em descontos nos valores destinados a essas nações.
O projeto também prevê que pelo menos 20% dos pagamentos nacionais sejam destinados a povos indígenas e comunidades tradicionais. A medida busca garantir que parte dos recursos chegue a grupos que vivem nesses territórios e têm relação direta com a conservação das florestas.
Quanto o fundo pretende arrecadar?
A meta do TFFF é captar US$ 125 bilhões, cerca de R$ 687,5 bilhões. Desse total, a expectativa é que US$ 100 bilhões, aproximadamente R$ 550 bilhões, venham do setor privado, enquanto US$ 25 bilhões, em torno de R$ 137,5 bilhões, sejam aportados por governos.
Com esse volume de recursos, a iniciativa pretende mobilizar cerca de US$ 4 bilhões por ano, aproximadamente R$ 22 bilhões, para distribuir aos países que mantêm suas florestas tropicais preservadas.
O modelo depende, portanto, da participação tanto de governos quanto de investidores privados. A contribuição anunciada pela Holanda será distribuída ao longo de dez anos e integra esse esforço de financiamento.
Quais países já anunciaram contribuições?
Antes do anúncio holandês, outros países já haviam divulgado compromissos financeiros com o fundo. O Brasil anunciou US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,5 bilhões, em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. A Noruega anunciou US$ 3 bilhões, aproximadamente R$ 16,5 bilhões, enquanto a Indonésia se comprometeu com US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,5 bilhões.
A França também anunciou uma contribuição de US$ 500 milhões, aproximadamente R$ 2,75 bilhões, durante a cúpula do clima realizada em Belém. Na ocasião do balanço anterior ao anúncio holandês, os compromissos divulgados já ultrapassavam US$ 5 bilhões, cerca de R$ 27,5 bilhões.
Além dos países que anunciaram aportes, outras nações aparecem entre as possíveis participantes do financiamento ou entre os países que podem receber recursos. Alemanha, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido são citados como potenciais investidores, enquanto Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia estão entre os países tropicais apoiados pela iniciativa.


