A construção civil é uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento das cidades. Estruturas como pontes, edifícios e estradas garantem infraestrutura e qualidade de vida para a população.
No entanto, o setor também é um dos grandes responsáveis pela degradação ambiental: segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a atividade gerou cerca de 48 milhões de toneladas de resíduos em 2021 e foi responsável por 37% das emissões de CO₂ no Brasil em 2022.
Diante desse cenário, cresce a urgência por soluções que reduzam os danos ambientais provocados pelo setor. Três práticas se destacam como caminhos para um futuro mais verde: a adoção de construções modulares, a economia circular e os selos de sustentabilidade.

A seguir, entenda como essas práticas funcionam na prática e por que elas são fundamentais para transformar o setor:
1. Economia circular: menos desperdício, mais reaproveitamento
A economia circular é uma das abordagens mais promissoras quando o assunto é sustentabilidade na construção civil. O modelo propõe o reaproveitamento de materiais, a redução do desperdício e o uso consciente de recursos.
“Utilizamos diversos materiais reciclados em aditivos, cimento, plásticos reciclados na composição de tubulações, alumínio, aço, entre outros”, explica Cláudio Carvalho, sócio da AW Realty Incorporadora. Segundo ele, a reutilização de insumos provenientes de outras obras, como demolições, é uma forma eficaz de aplicar o conceito de circularidade nas construções.
O concreto, um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, pode ser reaproveitado em diversas etapas do processo, como na pavimentação ou na criação de novas estruturas. Esse reaproveitamento evita que toneladas de resíduos sejam descartadas de forma inadequada, reduzindo os danos ao solo e à atmosfera.
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2. Construções modulares: rapidez e eficiência ambiental
As construções modulares também vêm ganhando espaço como solução sustentável. Elas são compostas por partes pré-fabricadas fora do canteiro de obras, que depois são transportadas e montadas no local da construção. Esse processo reduz o desperdício, gera menos entulho e permite uma obra mais rápida e limpa.
“Nossos módulos são 100% produzidos em plantas industriais e entregues prontos para o uso, com todas as ligações hidráulicas e elétricas instaladas. Chamamos isso de tecnologia ‘plug and use’”, conta Felipe Ventura, CEO da Opus Construtech.
Além da eficiência na montagem, essas estruturas são versáteis e podem ser transportadas com facilidade. Os módulos, muitas vezes isotérmicos, funcionam como peças de Lego, que se encaixam e se adaptam conforme o projeto. Isso diminui a emissão de poluentes no local da obra e reduz os impactos ambientais associados à construção tradicional.
3. Selos de sustentabilidade: credibilidade e compromisso ambiental
Para garantir que uma construção siga boas práticas ambientais, existem certificações específicas que atestam a sustentabilidade dos projetos. Os selos de sustentabilidade avaliam desde a escolha de materiais até o consumo de energia e água durante a vida útil da edificação.
Um exemplo é o selo Edge (Excellence in Design for Greater Efficiencies), que vem ganhando destaque no setor. “Esse certificado avalia os edifícios conforme o gasto energético e o consumo de água. Primeiro, ele é concedido na fase de projeto e, depois da construção, a certificadora verifica se as medidas foram implementadas”, explica Cláudio.
Esses selos agregam valor ao empreendimento, dão credibilidade às empresas e demonstram um compromisso real com a responsabilidade ambiental. Eles também ajudam os consumidores a identificar imóveis mais eficientes e econômicos, o que pode gerar economia a longo prazo.
Reduzir o impacto é possível — e necessário
Embora o Brasil tenha uma matriz energética com mais de 45% de fontes renováveis, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a construção civil ainda consome uma parcela significativa de energia de fontes fósseis. Por isso, pensar em projetos que valorizem a ventilação natural, o sombreamento de áreas estratégicas e o uso de materiais com maior inércia térmica é uma estratégia importante para diminuir a pegada de carbono do setor.
Outro ponto fundamental é a água. Apesar de ser um recurso renovável, ela é escassa em muitas regiões do Brasil. Por isso, a adoção de sistemas que evitem o desperdício, como captação de água da chuva e reuso, também entra no radar das construções sustentáveis.
Desafios das práticas sustentáveis
Apesar das vantagens, a adoção de práticas sustentáveis ainda enfrenta obstáculos. Um dos principais é a resistência à inovação por parte de empresas que preferem manter métodos tradicionais. Outro desafio é o custo inicial: algumas soluções sustentáveis exigem um investimento maior, o que pode afastar incorporadoras focadas apenas no curto prazo.
Por outro lado, a percepção dos consumidores está mudando. “Os clientes valorizam cada vez mais os princípios sustentáveis, especialmente quando eles impactam na economia futura”, afirma Cláudio. Isso inclui desde a escolha de materiais de maior durabilidade até a instalação de sistemas que reduzam o consumo de energia e água.
O caminho para uma construção civil mais responsável e menos poluente está sendo pavimentado. Com o avanço das tecnologias e o aumento da conscientização, soluções sustentáveis devem deixar de ser exceção e se tornar a regra no setor. Afinal, construir com responsabilidade é construir para o futuro.
*Entrevistas concedidas ao Casa&Jardim


