Em 1988, enquanto a novela “Vale Tudo” capturava as complexidades da ambição e da desigualdade em um Brasil assolado pela hiperinflação, a vida cotidiana era marcada pela instabilidade e pela dificuldade de planejar o futuro. A inflação galopante explica, com patamares inimagináveis para os padrões atuais, corroía a poupança e impactava diretamente o consumo da cesta básica.
Quase quatro décadas depois, em 2025, o remake de “Vale Tudo” nos convida a revisitar esse período e a refletir sobre a jornada do Brasil desde então. Embora não enfrentemos a mesma hiperinflação, as palavras de Danilo Ribeiro, sociólogo da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, ecoam ao apontar que a desigualdade social, um dos temas centrais da novela original, persiste com similaridades.

Se em 1988 o acesso à educação, saúde e moradia era um privilégio para poucos, avanços como o SUS (Sistema Único de Saúde) e a expansão do sistema educacional trouxeram maior acesso. Contudo, a disparidade de renda ainda se mostra latente.
Assim como a personagem Odete Roitman ambicionava poder e ascensão social em um contexto de profundas desigualdades, a busca por uma sociedade mais justa e equitativa continua sendo um desafio para o Brasil e para os brasileiros – apesar deles.


