O anúncio das oito capitais que receberão os jogos da Copa do Mundo Feminina da FIFA acende os holofotes sobre investimentos, legado, geração de renda e valorização do futebol praticado por mulheres
O Brasil vai sediar o mundo — e as cidades já estão escolhidas
Em 2027, o Brasil será palco do maior evento do futebol feminino global: a Copa do Mundo Feminina da FIFA. Com a confirmação das oito cidades-sede — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Recife — o país dá início a uma nova fase de planejamento, projeções econômicas e expectativas esportivas que vão muito além das quatro linhas.
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As oito capitais e suas estratégias para brilhar no palco mundial
As sedes escolhidas têm um histórico comprovado de estrutura, mobilidade e capacidade hoteleira. Além disso, concentram polos econômicos, culturais e sociais que permitem uma regionalização estratégica da competição.
- São Paulo (Neo Química Arena): potência econômica com vocação para grandes eventos.
- Rio de Janeiro (Maracanã): sede provável da final, ícone global do futebol.
- Brasília: capital política, ponto de articulação institucional e visibilidade global.
- Salvador e Recife: força cultural do Nordeste, com forte apelo turístico e social.
- Belo Horizonte: Mineirão como referência em estrutura e localização estratégica.
- Porto Alegre: tradição futebolística e presença marcante do futebol feminino.
- Fortaleza: participação ativa em torneios nacionais e infraestrutura consolidada.
Essas cidades serão não só palcos de jogos, mas também centros de iniciativas sociais, econômicas e culturais ligadas ao evento, reforçando a diversidade étnica, regional e econômica do Brasil.
Projeções econômicas e legado: o jogo é muito maior
A Copa do Mundo Feminina 2027 tem potencial para injetar mais de R$ 1 bilhão na economia brasileira, movimentando setores como turismo, hotelaria, alimentação, transporte, audiovisual e serviços gerais.
Segundo o Ministério do Esporte, a expectativa é de atrair mais de 400 mil turistas, sendo aproximadamente 100 mil estrangeiros. Além disso, o dossiê da candidatura prevê a criação de mais de 70 mil empregos diretos e indiretos, com prioridade para contratações locais e capacitação de profissionais.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, destacou a ambição da entidade ao anunciar a meta de arrecadação global:
“Estamos mirando uma receita de US$ 1 bilhão apenas com a Copa do Mundo Feminina, para reinvestir no jogo feminino.” — Gianni Infantino, em evento na Arábia Saudita.
Essa meta representa quase o dobro da arrecadação da edição anterior, de 2023, realizada na Austrália e Nova Zelândia (US$ 570 milhões), e sinaliza uma mudança de patamar na valorização do futebol feminino como ativo econômico.
Comparativo: Copa Feminina 2023 x Copa Feminina 2027 (projeções para o Brasil)
| Indicador | Copa 2023 (AUS/NZL) | Copa 2027 (Brasil – projeção) |
|---|---|---|
| País(es) sede | Austrália e Nova Zelândia | Brasil |
| Cidades-sede | 9 | 8 |
| Público total | 1.978.274 | +2.000.000 |
| Receita oficial (FIFA) | US$ 570 milhões | US$ 1 bilhão |
| Turistas estrangeiros | ~300 mil | 100 mil |
| Geração de empregos | Não divulgado | +70 mil (diretos e indiretos) |
| Arenas novas construídas | 0 | 0 (uso de arenas existentes) |
| Sustentabilidade e legado | Plano ambiental regional | Evento carbono neutro, uso racional de recursos e capacitação social |
| Visibilidade internacional | Recordes de audiência global | Projeção de crescimento em todas as plataformas |
| Legado para o futebol feminino | Expansão global | Fortalecimento de base no Brasil e América do Sul |
Protagonismo feminino e reconstrução de narrativas
A Copa de 2027 será, também, um gesto de reconhecimento. Atletas atuais e pioneiras estão no centro dessa transformação. Em entrevista ao Globo Esporte, Marta, maior artilheira da história do torneio, declarou:
“Jogar uma Copa do Mundo em casa é o sonho de tantas meninas no Brasil. Essa Copa sem dúvida será um marco histórico, a gente estando em campo ou não.”
Formiga, referência de resiliência e longevidade, reforça: “Sempre sonhamos com respeito e estrutura. Hoje podemos dizer que conquistamos esse espaço com suor.”
O ministro do Esporte, André Fufuca, destaca o impacto para a América do Sul: “Esta será a Copa do Brasil, mas também de toda a América do Sul. As jogadoras servirão de inspiração para futuras gerações.”
E as pioneiras também ganham voz. Roseli de Belo, que disputou a primeira edição do torneio em 1991, lembra, no Documentário As Primeiras: “Perdemos muitos talentos por falta de estrutura. Hoje o futebol feminino poderia estar em outro patamar. As pessoas acordaram tarde, mas ainda é tempo.”
O documentário As Primeiras, dirigido por Adriana Yánez e disponível no GloboPlay, registra esse percurso com sensibilidade e contundência, mostrando as mulheres que abriram caminho quando o futebol feminino era proibido no Brasil.
Sustentabilidade, visibilidade e futuro
O plano brasileiro prevê o uso de arenas já existentes, com investimento enxuto em estruturas temporárias e ações voltadas à compensação de carbono, mobilidade urbana limpa e educação ambiental nas comunidades do entorno dos estádios.
A visibilidade internacional do torneio também terá efeitos de longo prazo para o país — não apenas como destino turístico, mas como marca de um Brasil que investe em igualdade de gênero, inclusão e inovação esportiva.
Mais que uma Copa, uma virada de chave
A confirmação das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027 marca o início de uma nova jornada para o Brasil. Não se trata apenas de organizar um grande torneio, mas de gerar impacto econômico real, promover oportunidades regionais, reconstruir narrativas e consolidar o protagonismo feminino no esporte.
O jogo vai começar. E ele será jogado também nos campos da economia, da política pública e da transformação social.


