O Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek, localizado em Brasília, foi eleito o 4º melhor aeroporto do mundo em 2025, segundo o ranking AirHelp Score. O levantamento anual, elaborado pela empresa de tecnologia e direitos de passageiros aéreos AirHelp, avaliou 250 terminais de 68 países com base na experiência de cerca de 13,5 mil usuários entre 1º de junho de 2024 e 31 de maio de 2025.
O terminal da capital federal foi o único representante do Brasil entre os dez primeiros colocados do ranking. A nota final foi 8,47, sendo 8,6 para pontualidade, 8,3 para qualidade dos serviços (como acessibilidade, limpeza e atendimento) e 8,2 para alimentação e lojas. O desempenho garantiu a Brasília uma subida de uma posição em relação ao relatório anterior, consolidando seu lugar de destaque no cenário aeroportuário mundial.
Leia também: Brasil e China estudam ferrovia entre Atlântico e Pacífico
A conquista é significativa para o país, mas vem acompanhada de um sinal de alerta. O Brasil, que já teve até quatro aeroportos entre os dez melhores do mundo em edições anteriores da lista, agora vê apenas um terminal entre os líderes.

Pontualidade tem sido fator decisivo
De acordo com a AirHelp, a pontualidade dos voos tem tido um peso crescente nas avaliações e tem influenciado diretamente a classificação dos aeroportos. A pontualidade é especialmente relevante para passageiros de voos domésticos e internacionais com conexões apertadas, e tem sido um dos grandes diferenciais para o Aeroporto de Brasília, que serve como importante hub de conexão no centro do país.
Além disso, o terminal vem passando por melhorias estruturais nos últimos anos. A concessionária Inframérica, que administra o aeroporto, tem investido em novas tecnologias, aumento de capacidade e reformas em áreas de embarque e serviços. A melhoria no fluxo de passageiros e na oferta de alimentação e lojas também foi destaque entre os usuários entrevistados.
Desempenho geral do Brasil preocupa
Apesar do bom desempenho de Brasília, o cenário geral dos aeroportos brasileiros é de declínio. Em 2023, quatro terminais nacionais figuraram entre os dez melhores do mundo. Em 2024, esse número caiu para dois. Agora, em 2025, apenas Brasília permanece no top 10.
Ainda entre os 20 melhores, destacam-se o Aeroporto de Val-de-Cans, em Belém, que ficou na 13ª posição, e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, que surpreendeu ao subir 23 posições, alcançando o 17º lugar. A ascensão do terminal carioca pode estar relacionada às melhorias no sistema de controle de tráfego e readequações operacionais feitas ao longo de 2024.
Outros aeroportos brasileiros aparecem entre os 100 melhores do mundo:
- Pinto Martins (Fortaleza), em 24º
- Galeão (Rio de Janeiro), em 29º
- Afonso Pena (Curitiba), em 46º
- Guararapes (Recife), em 47º
- Guarulhos (São Paulo), em 61º
- Congonhas (São Paulo), em 63º
- Hercílio Luz (Florianópolis), em 72º
- Viracopos (Campinas), em 73º
- Tancredo Neves (Belo Horizonte), em 77º
O aeroporto de Salvador, Luís Eduardo Magalhães, ficou na 113ª posição. Já o Salgado Filho, em Porto Alegre, despencou para o 216º lugar, reflexo direto do fechamento temporário por causa das enchentes que afetaram o estado do Rio Grande do Sul nos últimos meses.
Destaques internacionais
O topo do ranking mundial foi ocupado por aeroportos de fora da Europa e dos Estados Unidos. O Aeroporto da Cidade do Cabo, na África do Sul, lidera com excelência nos três quesitos avaliados. Em seguida aparecem o Aeroporto de Hamad, em Doha, no Catar, e o Aeroporto Rei Khaled, em Riade, na Arábia Saudita.
A lista dos 10 melhores em 2025 inclui:
- Cidade do Cabo – África do Sul
- Hamad (Doha) – Catar
- Rei Khaled (Riade) – Arábia Saudita
- Brasília – Brasil
- Mascate – Omã
- Tocumen – Panamá
- King Shaka (Durban) – África do Sul
- Salt Lake City – Estados Unidos
- Bergen – Noruega
- Rei Fahd (Dammam) – Arábia Saudita
O impacto econômico e turístico
O desempenho dos aeroportos brasileiros em rankings internacionais tem efeito direto no turismo, na imagem do país no exterior e nos investimentos em infraestrutura. Aeroportos bem avaliados tendem a atrair mais voos internacionais, turistas e empresas aéreas dispostas a investir rotas para o Brasil.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Brasil registrou em 2024 cerca de 112 milhões de passageiros embarcados e desembarcados, número que representa uma retomada consistente após os anos críticos da pandemia.
Melhorar a experiência do usuário, reduzir atrasos e investir em modernização são caminhos para que outros terminais nacionais voltem a figurar entre os melhores do mundo. Por enquanto, Brasília carrega sozinha essa bandeira, mas o exemplo positivo pode estimular melhorias em todo o sistema aeroportuário brasileiro.


