Questão fiscal e impacto local
A tributação é um dos principais desafios do nomadismo digital. A pesquisa mostra que 20% dos países oferecem isenção total de impostos, enquanto 53% adotam o modelo de tributação mundial. Alguns países criaram benefícios fiscais específicos para atrair talentos, como o regime especial da Espanha, o alívio fiscal de quatro anos da Indonésia e regras de remessa diferenciadas na Irlanda.
No entanto, especialistas alertam para os impactos locais. A presença de nômades digitais pode elevar preços de aluguel e alimentação, devido à maior capacidade de pagamento em comparação à população residente. Além disso, muitos deixam o país antes de contribuir com impostos.
Perfil dos nômades digitais
A pesquisa da GCS mostra que 79% dos nômades digitais têm renda anual acima de US$ 50 mil, equivalente a cerca de R$ 266 mil (câmbio de setembro de 2025). A renda média desse grupo é de US$ 124,4 mil, ou aproximadamente R$ 661 mil por ano.
O estudo também aponta a tendência do chamado “slomadismo”, que une viagens mais lentas ao nomadismo digital. Essa prática busca incentivar estadias prolongadas, integração às comunidades locais e até a mudança em família, com incentivo de alguns governos para fortalecer vínculos de longo prazo.
Perspectivas para o futuro
Segundo Patricia Casaburi, CEO da Global Citizen Solutions, os vistos para nômades digitais deixaram de ser apenas uma alternativa de turismo e se tornaram parte de políticas de imigração mais amplas. Já Laura Madrid Sartoretto, líder de pesquisa da consultoria, destaca que esse movimento se consolidou como motor econômico em diversos países.
A tendência é que mais nações adotem programas específicos, ajustando regras fiscais e de permanência, com o objetivo de atrair profissionais qualificados e movimentar setores como moradia, alimentação e serviços.
*Entrevistas concedidas a Forbes.


