O município de Eusébio, localizado no Ceará, na Região Metropolitana de Fortaleza, ocupa o 1º lugar do Brasil na geração de empregos na economia criativa. O dado consta no Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que analisou 418 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes. Juntas, essas cidades concentram cerca de 60% da população nacional.
Eusébio recebeu nota 100 no indicador específico de economia criativa, que considera o número de trabalhadores formais empregados no setor em dezembro de cada ano. A capital Fortaleza também aparece entre as dez primeiras colocadas, na décima posição, com nota 44,34, segundo o levantamento divulgado em dezembro de 2025.
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O que é economia criativa e por que ela gera empregos
A economia criativa reúne atividades que têm como base o talento, a criatividade e o conhecimento. Estão incluídos segmentos como design, moda, publicidade, artes visuais, música, audiovisual, tecnologia, games e desenvolvimento de softwares. Esses setores costumam demandar mão de obra qualificada e têm potencial de gerar empregos formais, inclusive para jovens e profissionais autônomos que passam a se formalizar.
No caso de Eusébio, 13,42% dos trabalhadores formais estão empregados em empresas ligadas à economia criativa. Em Fortaleza, esse percentual é de 5,96%. Os números chamam atenção porque superam a mediana do Ceará, que é de 0,94%, e também a mediana nacional, de 1,05%, conforme dados detalhados pelo CLP.
Ranking nacional e comparação com outras cidades
Além de Eusébio, o ranking aponta municípios de diferentes regiões do país entre os mais bem colocados. Barueri aparece na segunda posição, com nota 82,92, seguida por São Leopoldo, com 55,95, e Passo Fundo, com 54,9. Florianópolis ocupa a quinta colocação, com 51,52, enquanto cidades como Campinas, Blumenau e Santana de Parnaíba também figuram entre as dez primeiras.
O levantamento utilizou 65 indicadores distribuídos em 13 pilares temáticos, que avaliam aspectos como inovação, dinamismo econômico, capital humano, ambiente regulatório e infraestrutura de telecomunicações. Esses fatores ajudam a explicar por que cidades médias, e não apenas grandes capitais, conseguem se destacar na geração de empregos criativos.
Políticas públicas e o caso de Eusébio
De acordo com o CLP, o desempenho de Eusébio está diretamente relacionado à implementação de políticas públicas voltadas à economia criativa. O município passou a investir de forma contínua em planejamento econômico, incentivo à inovação e apoio ao empreendedorismo ao longo das últimas duas décadas.
Pedro Trippi, coordenador de Inteligência Técnica do CLP, afirma que o município pode servir como referência para outras cidades do Ceará. Segundo ele, a experiência de Eusébio mostra como políticas locais bem estruturadas podem impactar diretamente o mercado de trabalho. O pesquisador ressalta, porém, que esta é a primeira vez que o município aparece no ranking, o que impede comparações com edições anteriores.
Desafios para ampliar o impacto no Ceará
Apesar do destaque de Eusébio e da presença de Fortaleza entre os dez primeiros colocados, especialistas apontam que a economia criativa ainda não está disseminada de forma homogênea no estado. Municípios como Quixadá apresentam 3% dos trabalhadores formais inseridos no setor, mas a maioria das cidades cearenses permanece abaixo da média nacional.
Segundo Trippi, o desempenho agregado do Ceará ainda não indica a consolidação do estado como um polo nacional de economia criativa. O levantamento mostra ilhas de excelência, mas não um movimento generalizado entre os municípios.
Peso econômico da criatividade no Brasil
Em âmbito nacional, a economia criativa já representa uma fatia relevante da atividade econômica. De acordo com estudo divulgado pela Firjan com base em dados de 2023, o setor responde por 3,59% do Produto Interno Bruto brasileiro. Em valores correntes, isso equivale a R$ 393,3 bilhões movimentados no ano.
Esse volume financeiro ajuda a explicar o interesse crescente de governos locais em atrair empresas criativas, startups e profissionais ligados à tecnologia, cultura e inovação, setores que costumam ter maior valor agregado e potencial de crescimento.
Infraestrutura e capital humano como diferencial
Para Christiano Penna, pesquisador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da Fundação Getulio Vargas, o avanço da economia criativa no Ceará depende do fortalecimento de cadeias produtivas como moda e design, audiovisual, mídia e expressões culturais. Ele destaca a importância de ampliar os efeitos indiretos do setor sobre outras áreas da economia.
Já Renato Furtado, professor da Universidade Federal do Ceará, aponta que a localização estratégica do estado e os investimentos em infraestrutura portuária e aeroviária criaram condições mais favoráveis ao desenvolvimento desse tipo de atividade econômica. Segundo ele, gargalos históricos relacionados à qualificação profissional e à logística começaram a ser reduzidos nos últimos anos.
O posicionamento oficial do município
Em nota, a prefeitura de Eusébio informou que a economia criativa se tornou um dos principais pilares do desenvolvimento local. A gestão municipal atribui o resultado a programas de incentivo à inovação, investimentos em infraestrutura cultural e mecanismos de apoio ao empreendedorismo.
Entre as iniciativas citadas estão o programa Inova Eusébio e projetos voltados à atração de novos empreendimentos, como o futuro Centro Gastronômico do município. Segundo a administração, essas ações ampliam a capacidade de geração de empregos formais e fortalecem a economia local dentro do setor criativo.


