IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%

Santos completa 480 anos com foco em planejamento econômico

Por

·

Ao completar 480 anos em janeiro de 2026, a cidade de Santos, em São Paulo, reforça sua posição como um dos municípios mais estratégicos do litoral brasileiro, tanto pela relevância histórica quanto pelo peso econômico.

A cidade, que abriga o maior porto da América Latina, aposta em planejamento de longo prazo para chegar aos 500 anos com uma estrutura urbana mais integrada, sustentável e competitiva. As diretrizes foram detalhadas pelo prefeito Rogério Santos em entrevista ao Jornal Diário do Litoral.

Com uma economia fortemente ligada ao turismo, à logística e aos serviços, Santos busca equilibrar preservação do patrimônio histórico com investimentos capazes de ampliar a geração de renda e empregos. Segundo a administração municipal, as decisões tomadas agora devem impactar diretamente a capacidade de crescimento econômico da cidade nas próximas décadas.

Leia também: Entenda como São Paulo se tornou o Estado mais rico do Brasil

Planejamento urbano e investimentos marcam o novo ciclo econômico de Santos | Foto: Reprodução/Canva
Planejamento urbano e investimentos marcam o novo ciclo econômico de Santos | Foto: Reprodução/Canva

Mobilidade e integração regional como motores econômicos

Entre os principais projetos estruturantes está o Túnel Santos-Guarujá, uma obra aguardada há mais de um século. O túnel terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos sob o canal do Porto de Santos. A previsão é que o trajeto entre as duas cidades seja feito em até cinco minutos, frente a deslocamentos que hoje podem ultrapassar uma hora, especialmente em períodos de pico.

A obra é considerada estratégica não apenas para a mobilidade urbana, mas também para a economia regional, ao facilitar o deslocamento de trabalhadores, turistas e cargas. De acordo com a Prefeitura de Santos, a redução do tempo de viagem deve gerar ganhos indiretos para setores como comércio, serviços e saúde pública, ao diminuir congestionamentos e emissões de poluentes.

Outro projeto de grande impacto é a ampliação do Sistema Anchieta Imigrantes, com a construção de uma terceira pista e estudos para uma possível quarta pista da Rodovia dos Imigrantes. A nova pista terá 21,5 quilômetros de extensão, com cerca de 17 quilômetros em túneis, o equivalente a 80% do traçado, além de aproximadamente 4 quilômetros de viadutos. Um dos túneis previstos terá cerca de 6 quilômetros, o maior do país nesse modelo, segundo informações divulgadas pela administração municipal e pelo governo estadual.

Investimentos em infraestrutura urbana

Santos vive um ciclo de investimentos públicos e privados que, somados, alcançam cifras bilionárias. De acordo com dados da Prefeitura, os 68 principais empreendimentos estruturantes em andamento ou previstos representam um aporte estimado de R$ 18,49 bilhões. Esses recursos estão distribuídos em áreas como mobilidade, drenagem, saúde, educação, habitação e revitalização urbana.

Um dos focos é o combate aos alagamentos, problema recorrente em cidades litorâneas. Estão previstos quase R$ 500 milhões para a construção de cinco estações elevatórias, que devem beneficiar bairros como Saboó, Chico de Paula, Rádio Clube e Santa Maria, além de melhorar as condições de acesso à entrada do município.

Na mobilidade urbana interna, avenidas estratégicas como a orla, a Avenida Ana Costa e a Avenida Bernardino de Campos, conhecida como Canal 2, passarão por obras de recapeamento. O investimento total previsto é de R$ 202 milhões, com impacto direto na fluidez do trânsito e na atividade turística.

Sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas

A localização geográfica de Santos, em uma ilha e próxima à Serra do Mar, torna a cidade especialmente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. Para enfrentar esse cenário, a Prefeitura unificou as áreas de Urbanismo e Meio Ambiente, com o objetivo de integrar planejamento urbano e políticas ambientais.

Segundo o prefeito Rogério Santos, mais de R$ 150 milhões já foram investidos em obras de contenção nos morros, com foco na prevenção de deslizamentos e na proteção de famílias que vivem em áreas de risco. O monitoramento também foi ampliado, com a instalação de sirenes em comunidades como a Vila Progresso.

Na Zona Noroeste, os investimentos se concentram na redução de alagamentos por meio de estações elevatórias. Já na orla, o desafio principal é conter a erosão costeira, em parceria com a Autoridade Portuária de Santos, que busca minimizar os impactos da dragagem do porto na região da Ponta da Praia, utilizando soluções tecnológicas de proteção urbana.

Habitação e inclusão social no planejamento econômico

No campo social, um dos projetos de maior destaque é o Parque Palafitas, na Vila Gilda, uma das maiores áreas de moradias sobre palafitas do Brasil. O objetivo da administração municipal é eliminar esse modelo habitacional até os 500 anos da cidade, substituindo-o por um bairro estruturado, com moradias dignas e infraestrutura urbana.

O projeto faz parte de um programa habitacional mais amplo, que prevê a entrega ou execução de cerca de 4 mil moradias até 2028. Apenas no último ano, mais de mil unidades foram viabilizadas em parceria com os governos estadual e federal. Os investimentos no setor habitacional superam R$ 300 milhões e abrangem bairros como Jabaquara, Paquetá, Centro, Areia Branca, Encruzilhada, Estuário e Vila Mathias.

Educação, saúde e serviços públicos

A agenda de entregas para 2026 inclui obras em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico de longo prazo. Na saúde, o principal destaque é o hospital pediátrico do Complexo da Areia Branca, com investimento de R$ 85 milhões. O projeto inclui ainda uma unidade de Ensino Fundamental e equipamentos esportivos.

Outras obras em andamento incluem a Policlínica Vila Progresso, com aporte de R$ 5,6 milhões, e o Centro de Especialidades Odontológicas da Zona Noroeste, orçado em R$ 1,7 milhão. Na educação, os investimentos também são expressivos, com destaque para a futura Etec Fatec da Zona Noroeste, que contará com R$ 40 milhões em recursos.

Entre as novas unidades municipais, estão previstas a UME Edson Arantes do Nascimento, no Gonzaga, com investimento de R$ 40 milhões, a UME Flávio Cipriano, no São Manoel, com R$ 20 milhões, e a UME Hilda Rabaça, na Vila Haddad, orçada em R$ 8,5 milhões.

Transporte público e custos para a população

A frota de ônibus de Santos, considerada uma das mais novas do país, seguirá em processo de renovação com a incorporação de veículos elétricos. Segundo a Prefeitura, essa modernização não terá impacto no valor da tarifa, mantida em R$ 5,25, o que preserva o custo do transporte público para a população.

As iniciativas integram um conjunto de políticas voltadas à mobilidade sustentável, à redução de emissões e à melhoria da qualidade de vida urbana, fatores que influenciam diretamente a atratividade econômica da cidade para moradores, turistas e investidores.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade