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Desemprego é maior entre mulheres negras, aponta Ministério do Trabalho e Emprego

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Desemprego entre mulheres negras é o dobro do registrado entre homens não negros

O feriado do Dia da Consciência Negra, levanta debates sobre a realidade desta população no Brasil. Um dos assuntos em questão, diz respeito às diferenças entre homens e mulheres negras no quesito empregabilidade. 

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) relativos ao 2º trimestre de 2024, a taxa de desemprego entre mulheres negras é de 10,1%, mais do que o dobro da registrada entre homens não negros, de 4,6%. 

Desemprego entre mulheres negras reflete desigualdades estruturais.
Desemprego entre mulheres negras reflete desigualdades estruturais |Foto: Reprodução/Freepik

Essa disparidade reflete a vulnerabilidade maior da população negra no mercado de trabalho, especialmente das mulheres, que continuam a enfrentar dificuldades significativas no acesso a vagas e, muitas vezes, ocupam posições com salários mais baixos, como nas áreas de serviços domésticos e limpeza.

Em um contexto mais amplo, o desemprego no Brasil afetava 7,5 milhões de pessoas no período, resultando em uma taxa média de 6,9%. Além disso, as mulheres negras enfrentam uma realidade ainda mais difícil quando se consideram as condições de trabalho informais: 38,6% da população ocupada está no setor informal, com um aumento de 9,1% entre as mulheres negras, que frequentemente trabalham sem registro ou em atividades autônomas sem CNPJ.

O estudo também revela que, no Brasil, apenas 52% das mulheres negras estão no mercado de trabalho, em comparação com 54% das mulheres brancas. Essa participação reduzida é um reflexo de uma desigualdade estrutural que persiste, além de um cenário em que as mulheres, especialmente as negras, dedicam em média 10 horas semanais a mais em tarefas domésticas não remuneradas em relação aos homens.

As mulheres negras, que representam 28% da população brasileira, também são as mais impactadas pela falta de proteção social: mais de 21% delas não têm acesso à contribuição previdenciária.

Outro dado relevante apontado pelo Ipea é que os negros representam 80% dos 10% mais pobres do Brasil, enquanto nos 10% mais ricos, 70% são brancos, destacando as profundas desigualdades raciais e econômicas no país.

Dia da Consciência Negra: surgimento e relevância

Neste ano, o Brasil comemora pela primeira vez o Dia Nacional do Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional. A data, que já era celebrada anteriormente, foi oficializada em 2023, tornando-se feriado após a aprovação de uma lei sancionada pelo presidente Lula.

A Consciência Negra simboliza a valorização da identidade, cultura e história da população negra no Brasil. O 20 de novembro foi escolhido por marcar a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, que resistiu à escravidão e se tornou um símbolo de luta pela liberdade dos negros no Brasil.

A criação do Dia da Consciência Negra como feriado nacional tem grande relevância na luta contra o racismo e na promoção da igualdade racial no Brasil. A data, celebrada desde 1971, foi oficializada em 2023 como feriado nacional, após aprovação de uma lei sancionada pelo presidente Lula.

O 20 de novembro, escolhido por marcar a morte de Zumbi dos Palmares, visa não apenas homenagear a memória do líder do Quilombo dos Palmares, mas também conscientizar a sociedade sobre a história e os desafios enfrentados pela população negra.

A ampliação dessa data como feriado fortalece a visibilidade da luta dos negros no país e contribui para a reflexão sobre a inclusão, os direitos e as conquistas dessa comunidade no Brasil.

Quem foi Zumbi dos Palmares?

Zumbi dos Palmares, nascido em 1655, foi um líder fundamental na resistência contra a escravidão no Brasil. Nascido no Quilombo dos Palmares, em Alagoas, Zumbi foi capturado ainda criança pelos portugueses, mas cresceu com a educação europeia, que ele utilizou para fortalecer sua luta.

Tornando-se um líder do quilombo, ele defendeu a autonomia e liberdade de seu povo, comandando a resistência contra as forças coloniais. O Quilombo dos Palmares tornou-se um símbolo de resistência, reunindo milhares de negros fugitivos da escravidão.

Zumbi faleceu em 1695, mas seu legado perdura, simbolizando a luta pela liberdade e a valorização da identidade negra. Sua morte no dia 20 de novembro é lembrada anualmente como o Dia da Consciência Negra, uma data que celebra a história, cultura e identidade dos afro-brasileiros. Zumbi continua sendo uma figura emblemática na luta por direitos e igualdade racial no Brasil.

A história da data

A ideia de criar o Dia da Consciência Negra surgiu na década de 1970 com o Grupo Palmares, composto por estudantes negros do Rio Grande do Sul.

O 20 de novembro passou a ser comemorado oficialmente no Brasil em 2003, após a sanção de uma lei pelo presidente Lula, que também tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas.

Em 2011, a data foi reconhecida como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, e em 2023, transformada em feriado nacional.

Outra data importante relacionada à história dos negros no Brasil é o 13 de maio, Dia da Abolição da Escravidão, quando foi sancionada a Lei Áurea. Contudo, historiadores ressaltam que apesar da abolição, a lei não trouxe mudanças significativas para a realidade da população negra no país.

A transformação do 20 de novembro em feriado nacional reflete um passo importante na luta por justiça racial e reconhecimento da contribuição dos negros para a história do Brasil.

Leia também: Taxa de desemprego sobe para 7,9% em março, é terceira alta seguida

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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