A safra de laranja no Brasil, concentrada em São Paulo e no Triângulo Mineiro, enfrenta desafios significativos em 2024. De acordo com um relatório recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a produção está estimada em 223,14 milhões de caixas de 40 quilos.
Esse número representa uma redução de 27,4% em relação à safra anterior, marcando um dos desempenhos mais baixos dos últimos anos.

Clima e doenças impactam colheita
A redução na produção é atribuída a condições climáticas adversas, como altas temperaturas e falta de chuvas, que afetam tanto a safra atual quanto a próxima. Além disso, o greening, uma doença sem cura que afeta os pomares, agrava a situação. Segundo o Fundecitrus, a incidência do greening aumentou 56% em 2023, atingindo 38% dos pomares em São Paulo, o principal estado produtor.
Esse cenário é preocupante para os produtores, já que a doença não apenas reduz a quantidade, mas também compromete a qualidade das frutas. As temperaturas extremas intensificam o estresse das plantas, dificultando o desenvolvimento saudável dos frutos.
Leia também: Lula e a saúde dos mais velhos: um olhar sobre os custos e desafios na terceira idade
Preços e qualidade da laranja
Apesar da baixa oferta, os preços da laranja de mesa caíram. Na semana de 9 a 12 de dezembro, a caixa de 40,8 quilos foi negociada a R$ 111,39, uma queda de 1,4% em comparação à semana anterior. Essa redução pode parecer contraditória, mas especialistas explicam que, embora a oferta esteja baixa, o mercado está reagindo à melhora na qualidade das frutas, o que aumenta a competitividade.
No caso da lima ácida tahiti, as cotações também caíram significativamente, com a caixa de 27,2 quilos sendo negociada a R$ 41,30, uma redução de quase 15%. A proximidade da safra principal dessa variedade explica o recuo nos preços.
Exportações e importações
As exportações de suco de laranja, um dos principais produtos derivados da fruta, iniciaram a safra 2024/25 em ritmo lento. Em julho, foram embarcadas 53,4 mil toneladas, uma queda de 38% em relação ao mesmo período de 2023. Essa redução era esperada devido à menor oferta doméstica, resultado da combinação de clima desfavorável e greening.
Por outro lado, as importações de laranja in natura aumentaram expressivamente. Entre janeiro e julho, o Brasil adquiriu 34,8 mil toneladas da fruta, um crescimento de 87% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa alta reflete a necessidade de atender à demanda interna diante da escassez local.
Chuvas trazem esperança
Apesar do cenário desafiador, as chuvas previstas para o final de 2024 trouxeram algum otimismo aos produtores. As precipitações são fundamentais para aliviar o estresse hídrico nos pomares de sequeiro e melhorar as condições para a próxima safra. No entanto, especialistas alertam que os impactos das ondas de calor e do greening já comprometeram parte significativa da produção.
Perspectivas para 2025
O mercado segue atento aos desdobramentos da atual safra e aos desafios enfrentados pelos citricultores. Com a perspectiva de uma safra ainda menor em 2025, o setor precisa buscar soluções para mitigar os impactos do greening e adaptar-se às mudanças climáticas. Investimentos em tecnologia e manejo integrado das lavouras são apontados como caminhos para aumentar a resiliência da produção.
A citricultura brasileira, essencial para o mercado interno e para as exportações, enfrenta um momento delicado. Os desafios impostos pelo clima e pelas doenças exigem esforços coordenados entre produtores, pesquisadores e governo para garantir a sustentabilidade do setor. Enquanto isso, os consumidores devem ficar atentos às oscilações de preços, que refletem as complexidades do mercado.


