A sensação de que “tudo está mais caro” é uma reclamação frequente entre os jovens da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). Mas será que o poder de compra desse grupo realmente diminuiu?
Estudos recentes mostram que essa percepção pode estar mais ligada a mudanças no comportamento de consumo do que a uma queda efetiva no poder aquisitivo.

Segundo um levantamento conduzido pelo analista de research da Rico, Antônio Sanches, não houve uma queda generalizada no poder de compra. De fato, o salário mínimo brasileiro acompanhou razoavelmente os preços de bens e serviços nos últimos 12 anos, especialmente em setores como alimentos e bebidas.
Por outro lado, a sensação de dificuldades financeiras persiste, alimentada por fatores que vão além da inflação e da renda.
Entendendo a inflação e os preços
A inflação é o aumento geral e sustentado dos preços em uma economia. Ela impacta diretamente a percepção de valor dos consumidores. No Brasil, o Plano Real, implementado na década de 1990, foi crucial para controlar a hiperinflação e estabilizar os preços.
Contudo, jovens da Geração Z, que cresceram após essa estabilização, estão experimentando uma nova realidade: embora os preços não tenham subido uniformemente, o aumento dos valores é perceptível.
Um exemplo é a diferença de comportamento entre os preços de alimentos e automóveis. Entre 2012 e 2024, os alimentos registraram uma inflação acumulada de 145%, enquanto os automóveis subiram “apenas” 45%. Essa disparidade reflete não apenas o impacto das condições climáticas e da oferta, mas também de novos padrões de consumo e produtividade.
Impacto dos hábitos de consumo da Geração Z
A Geração Z tem características únicas que influenciam sua relação com o dinheiro. Como a primeira geração a crescer em um mundo 100% digital, suas decisões de compra são fortemente impactadas pelas redes sociais.
Um estudo da Bain & Company e do Google revelou que Millennials e membros da Geração Z são mais propensos a serem influenciados por publicidade online e redes sociais. Isso resulta em novos gastos, como assinaturas de streaming e compras de produtos promovidos por influenciadores.
Esses gastos, muitas vezes considerados “invisíveis”, podem dificultar a organização financeira. Por outro lado, pesquisas apontam uma crescente conscientização entre os jovens sobre a importância do planejamento financeiro. Cerca de 48% dos jovens entrevistados pela Rico afirmaram evitar saídas aos fins de semana para investir em educação financeira ou em seus futuros.
Prioridades e investimentos
Apesar dos desafios, a Geração Z tem mostrado sinais de maturidade financeira. Segundo a pesquisa da Rico, 46% dos jovens investem regularmente, mesmo que o investimento não seja uma prioridade absoluta em seus orçamentos. Outros 41% consideram o investimento como principal prioridade, enquanto 65% afirmaram fazer novos investimentos mensalmente.
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Essa mudança de mentalidade reflete um desejo de maior estabilidade e crescimento financeiro. Muitos jovens estão abrindo mão de serviços de delivery (37%) e cortando gastos desnecessários (45%) para construir um futuro mais sólido.
A importância do planejamento financeiro
Planejamento financeiro é fundamental para superar a sensação de baixo poder de compra. O primeiro passo é identificar os gastos invisíveis, como as assinaturas recorrentes, e avaliar se eles realmente agregam valor ao cotidiano. Em seguida, a elaboração de um orçamento detalhado ajuda a definir prioridades e metas.
Além disso, investir em educação financeira pode ser uma ferramenta poderosa. Cursos, aplicativos e conteúdos online são acessíveis e permitem que os jovens aprendam a gerir melhor seus recursos.
A sensação de que o poder de compra da Geração Z está reduzido está mais relacionada a mudanças no comportamento de consumo e nas prioridades financeiras do que a uma realidade econômica objetiva. Com o planejamento certo e a adoção de hábitos saudáveis, os jovens podem equilibrar suas finanças e se preparar para um futuro mais seguro.


