Os juros básicos da economia brasileira devem atingir 14,25% nesta quarta-feira, 19 de março, o maior nível desde 2016. A decisão será tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira, 18 de março. Atualmente, a taxa Selic está em 13,25% ao ano, e o mercado já espera um novo aumento de um ponto percentual.
Embora a alta já seja amplamente antecipada, analistas financeiros estão atentos ao tom do comunicado que será divulgado após a decisão. O Bradesco, em relatório, destacou a importância da comunicação do Copom, pois ela pode indicar os próximos passos da política monetária.

Já o BTG Pactual identificou uma divisão no mercado sobre como o BC deveria se posicionar: enquanto 38% dos analistas defendem que o Copom mantenha uma abordagem mais flexível, outros acreditam que a autoridade monetária deve sinalizar um ritmo menor de aumento nos próximos encontros.
Inflação segue pressionada
Um dos fatores que justificam a alta dos juros é a inflação persistente. Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 1,31%, o maior índice para o mês desde 2003. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 5,06%, acima dos 4,56% registrados até janeiro. Mesmo com a Selic em um patamar elevado, os preços seguem pressionados.
A Suno Research apontou que alguns indicadores de inflação apresentaram melhora em fevereiro, como a desaceleração dos preços de serviços e bens industriais. No entanto, economistas alertam que a inflação ainda está acima da meta de 4,5% e deve continuar desafiadora nos próximos meses.
O UBS vê riscos de novas altas de juros e aposta que o Copom poderá elevar a Selic novamente na reunião de maio. Segundo o banco, se o BC desacelerar o ritmo de alta, o mercado pode interpretar como um sinal de maior tolerância com a inflação, o que pode resultar em juros ainda mais altos no futuro.
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Crescimento econômico e desafios fiscais
Outro ponto de preocupação para o Banco Central é o crescimento da economia acima da sua capacidade sustentável. Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 3,4%, mas economistas atribuem esse resultado ao aumento dos gastos públicos.
A continuidade de estímulos fiscais, como o crédito consignado privado e a reforma do Imposto de Renda para isentar rendas de até R$ 5 mil, pode dificultar a redução da inflação e exigir juros ainda mais altos. O Deutsche Bank comparou o cenário atual com a recessão de 2015-2016, quando o país enfrentou estagflação – combinação de alta inflação e crescimento econômico fraco.
De acordo com o UBS, o atual cenário de inflação elevada pode impedir o BC de cortar os juros ainda este ano. A expectativa é que a Selic fique próxima de 15% até o início de 2026, dependendo do comportamento da inflação e das contas públicas.
Perspectivas para os próximos meses
O mercado financeiro segue dividido sobre os próximos passos do Copom. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa é que a Selic suba 0,5 ponto na reunião de maio e mais 0,25 ponto na seguinte, atingindo 15% antes de se estabilizar.
Enquanto alguns analistas acreditam que a inflação pode começar a ceder nos próximos meses, outros alertam para a possibilidade de um aperto monetário ainda maior caso o governo não controle os gastos públicos. A decisão desta semana será crucial para definir os rumos da economia brasileira nos próximos anos.


