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94% das brasileiras defendem igualdade salarial, diz estudo

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A desigualdade salarial entre homens e mulheres é um tema que mobiliza o debate público há anos. No Brasil, a disparidade de remuneração por gênero ainda é uma realidade, mas um novo estudo do Instituto Update mostra que há um amplo consenso entre as mulheres brasileiras sobre a necessidade de mudanças: 94% delas defendem a equiparação de salários para cargos equivalentes.

 A igualdade salarial, a segurança pública e a maior presença feminina na política são temas que podem impulsionar mudanças significativas no país | Foto: Reprodução/Canva brasileiras
A igualdade salarial, a segurança pública e a maior presença feminina na política são temas que podem impulsionar mudanças significativas no país | Foto: Reprodução/Canva

A pesquisa, intitulada Mulheres em Diálogo, entrevistou brasileiras de diferentes classes sociais, idades, regiões e orientações políticas para identificar consensos e divergências sobre temas relevantes. Os resultados revelam que, apesar das diferenças ideológicas, há pautas que unem as mulheres no país, como a igualdade salarial, a segurança pública e a representatividade feminina na política.

Igualdade salarial: uma demanda urgente

O levantamento destaca que a maioria das mulheres brasileiras concorda total ou parcialmente com a necessidade de equiparação salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função. O dado reforça a urgência de políticas públicas e iniciativas do setor privado para reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) proíba a diferenciação salarial por gênero, pesquisas indicam que mulheres ainda recebem, em média, 20% a menos que homens na mesma posição. Essa disparidade aumenta quando se leva em conta a interseccionalidade, afetando mais gravemente mulheres negras e periféricas.

A demanda por igualdade salarial não se restringe a um único grupo social. A pesquisa mostra que essa é uma preocupação comum entre mulheres de diferentes classes econômicas e orientações políticas. Esse consenso pode ser um ponto de partida para avanços legislativos e mudanças estruturais dentro das empresas.

Leia também: Mulheres jovens priorizam carreira e estabilidade financeira, aponta pesquisa

Segurança e representatividade na política

Além da questão salarial, a segurança pública também foi identificada como uma das principais preocupações das mulheres. Para 77% das entrevistadas, a violência urbana e o crescimento do crime organizado são problemas centrais no país.

Outro ponto que mobiliza a maioria das entrevistadas é a necessidade de maior representatividade feminina na política. Segundo o estudo, 72% das mulheres concordam que é preciso aumentar a presença feminina em cargos eletivos. Atualmente, o Brasil tem uma das menores taxas de participação feminina no Legislativo da América Latina.

A baixa representatividade impacta diretamente na formulação de políticas públicas voltadas para questões que afetam a vida das mulheres, como licença-maternidade, combate à violência de gênero e incentivos à equidade no mercado de trabalho.

Divisões em temas morais e religiosos

Apesar das convergências, o estudo também identificou divisões entre as mulheres brasileiras em pautas como feminismo, descriminalização do aborto e influência da religião na política.

O feminismo, por exemplo, é um tema que ainda gera debates: 48% das entrevistadas se identificam como feministas, enquanto 43% rejeitam o rótulo. A aceitação da identidade feminista é maior entre mulheres mais jovens, com ensino médio ou superior e pertencentes às classes AB e C. Já entre evangélicas, mulheres acima de 45 anos e pertencentes às classes D e E, há uma rejeição mais expressiva.

Outro tema que encontra resistência é a descriminalização do aborto. Apenas 16% das entrevistadas apoiam a legalização da prática, e mesmo entre mulheres que se identificam como progressistas, a rejeição é alta. No entanto, a maioria não concorda com a prisão de mulheres que realizam abortos fora das situações permitidas por lei.

A influência da religião na política também divide opiniões: 53% das entrevistadas defendem que valores religiosos devem nortear decisões políticas, enquanto 43% discordam dessa afirmação. O apoio à influência religiosa é maior entre evangélicas e católicas praticantes, enquanto mulheres sem religião e católicas menos praticantes demonstram forte rejeição a essa ideia.

Caminhos para o futuro

O estudo Mulheres em Diálogo reforça que, apesar das diferenças culturais, sociais e ideológicas, há demandas que são quase universais entre as mulheres brasileiras. A igualdade salarial, a segurança pública e a maior presença feminina na política são temas que podem impulsionar mudanças significativas no país.

Para que essa equidade se torne realidade, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas mais efetivas, maior fiscalização sobre discriminação salarial e incentivos para que mais mulheres ocupem espaços de poder.

A pesquisa mostra que, mesmo em um cenário de polarização, algumas pautas ultrapassam barreiras e unem mulheres de diferentes perfis. O desafio agora é transformar esse consenso em ações concretas para garantir um futuro mais justo e igualitário.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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