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O futuro do cheque: por que ele ainda sobrevive no Brasil?

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O cheque, que já foi protagonista dos meios de pagamento no Brasil, vem perdendo espaço há décadas. No auge de sua popularidade, em 1995, foram emitidos 3,3 bilhões de cheques no país. Em 2024, esse número caiu para 137 milhões, uma redução de quase 96%, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

com a crescente digitalização das finanças, é provável que ele tenha cada vez menos espaço no dia a dia dos brasileiros. cheques
Apesar do avanço de tecnologias como o Pix e os cartões de crédito, o cheque ainda encontra espaço em alguns setores da economia e entre determinados perfis de consumidores. | Foto: Reprodução/Canva

Quem ainda usa cheques?

O uso do cheque no Brasil persiste por alguns motivos estratégicos. Para Samira Koury, gerente de loja há 30 anos, ele continua sendo uma alternativa viável quando há problemas de conexão das máquinas de pagamento ou para clientes que não utilizam cartões de crédito.

Além disso, muitos estabelecimentos ainda aceitam cheques como forma de pagamento parcelado, sem incidência de juros, algo vantajoso para pequenos comerciantes e profissionais liberais.

Outro setor onde o cheque mantém relevância é o agronegócio. José Achiles Mozambani, produtor rural de Monte Alto (SP), explica que a compra e venda de mercadorias na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) ainda depende muito do cheque. Segundo ele, o alto volume de dinheiro circulando e a ausência de taxas tornam esse meio de pagamento mais atrativo.

Além disso, o cheque tem um diferencial jurídico: ele é um título executivo, ou seja, pode ser usado como garantia de pagamento e cobrado judicialmente com mais facilidade do que um simples contrato verbal. Por isso, é comum que seja utilizado como caução em aluguéis e negócios que envolvem grandes valores.

O declínio do cheque e a ascensão dos meios digitais

O cheque já teve um papel essencial na economia brasileira. Nos anos 1980 e 1990, ele permitia pagamentos parcelados, ajudava a lidar com a inflação alta e era considerado um símbolo de status.

No entanto, com o surgimento de novas tecnologias, sua popularidade caiu drasticamente. Em 2020, apenas 1% das transações no Brasil foram feitas via cheque, segundo dados do Banco Central.

A introdução do Pix acelerou essa tendência de queda. Apenas em dezembro de 2024, o sistema foi utilizado 6,4 bilhões de vezes, movimentando R$ 2,7 trilhões. A facilidade de transferência instantânea, sem taxas para pessoas físicas e disponível 24 horas por dia, fez com que muitos brasileiros abandonassem os métodos tradicionais de pagamento.

Os cartões de crédito também seguem fortes no mercado, principalmente por conta dos programas de fidelidade e possibilidade de parcelamento. Para muitos consumidores, a praticidade de usar o cartão por aproximação ou mesmo em compras online o torna muito mais vantajoso que um cheque.

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Segurança e desafios atuais

Embora o cheque ainda tenha suas vantagens, ele também apresenta desafios. Um dos principais problemas é a possibilidade de cheques sem fundo, algo que sempre gerou desconfiança entre comerciantes e consumidores. Além disso, sua compensação pode levar dias, o que contrasta com a instantaneidade do Pix e dos cartões.

No entanto, há um ponto positivo quando falamos de segurança. Roubos de celulares e fraudes bancárias via aplicativos têm se tornado mais comuns, colocando em risco as contas digitais dos usuários. Já um cheque perdido ou roubado pode ser cancelado antes da compensação, reduzindo o risco de prejuízo imediato.

O que esperar do futuro?

Especialistas do setor financeiro apontam que os pagamentos estão se tornando cada vez mais “invisíveis”. Isso significa que o consumidor pode pagar por serviços de forma automática, sem precisar realizar uma ação direta no momento da compra. Aplicativos de transporte, delivery e streaming já operam dessa maneira, e essa tendência deve se intensificar nos próximos anos.

Segundo Douglas Barrochelo, CEO da plataforma de pagamentos Biz, essa transformação digital deve reduzir ainda mais o uso do cheque. “As novas gerações já cresceram acostumadas a pagamentos via aplicativos e carteiras digitais. Em breve, o dinheiro físico e os cheques podem se tornar peças de museu”, afirma.

O cheque, apesar de ainda estar presente na economia, parece estar caminhando para sua extinção. Seu uso continua em setores específicos e entre um público que ainda vê vantagens nesse método de pagamento. No entanto, com a crescente digitalização das finanças, é provável que ele tenha cada vez menos espaço no dia a dia dos brasileiros.

*Entrevistas concedidas ao Estadão Investidor

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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