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Brasileiros pagaram R$ 40 trilhões em impostos em 20 anos, diz Impostômetro

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O Brasil atingiu uma marca impressionante: mais de R$ 40 trilhões pagos em impostos nos últimos 20 anos. A estimativa é do Impostômetro, ferramenta criada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que acompanha em tempo real o quanto a população brasileira destina ao pagamento de tributos federais, estaduais e municipais. Esse valor equivale, por exemplo, a quase 15 vezes o PIB (Produto Interno Bruto) da Argentina em 2023 ou a quatro vezes o orçamento federal brasileiro de 2025.

Apesar da cifra bilionária, a percepção geral da população é de que os impostos pagos não se convertem, na mesma proporção, em serviços públicos de qualidade. Em outras palavras, os brasileiros pagam muito, mas recebem pouco.

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Em 20 anos, os brasileiros destinaram R$ 40 trilhões em tributos aos cofres públicos — valor que evidencia o tamanho da responsabilidade fiscal da população | Foto: Reprodução/Canva
Em 20 anos, os brasileiros destinaram R$ 40 trilhões em tributos aos cofres públicos — valor que evidencia o tamanho da responsabilidade fiscal da população | Foto: Reprodução/Canva

Onde está o Brasil no ranking da carga tributária?

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa a 24ª posição entre os países com maior carga tributária. Fica atrás de nações como Noruega, Áustria, Bélgica e Dinamarca, que cobram mais impostos, mas também oferecem serviços públicos amplos, gratuitos e eficientes, como saúde, transporte, educação e segurança.

A carga tributária brasileira gira em torno de 33% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora o número pareça próximo ao de países desenvolvidos, a grande diferença está no retorno: enquanto nações europeias oferecem serviços de qualidade em troca da alta tributação, no Brasil, o cidadão muitas vezes precisa recorrer à rede privada para suprir necessidades básicas, como atendimento médico ou educação para os filhos.

O que mais pesa no bolso do brasileiro?

A tributação no Brasil tem uma característica peculiar: a maior parte dos impostos é indireta, ou seja, está embutida em produtos e serviços. Isso faz com que a população de menor renda seja a mais penalizada, pois proporcionalmente paga mais impostos do que os mais ricos.

Produtos essenciais, como alimentos, medicamentos e itens de higiene, têm elevada carga tributária. Por exemplo:

  • O arroz e o feijão, que fazem parte da base da alimentação brasileira, têm carga tributária entre 17% e 18%.
  • Um absorvente íntimo pode ter até 34% de imposto embutido.
  • Um remédio de uso contínuo chega a ter 33% de tributação.

Já os tributos sobre a renda e o patrimônio, que incidem mais sobre as classes mais altas, têm menor peso na arrecadação total.

Como o brasileiro enxerga o pagamento de impostos?

Segundo pesquisas realizadas por institutos como o Datafolha e o Ibope, a maioria dos brasileiros considera alta a carga tributária e desconfia da forma como os recursos são utilizados. Há uma sensação generalizada de que o sistema é injusto e ineficiente.

Além disso, a complexidade tributária brasileira é um dos principais entraves para o desenvolvimento econômico. São dezenas de tributos diferentes, com regras distintas em cada estado e município. Estima-se que empresas brasileiras gastam, em média, 1.500 horas por ano só para cumprir obrigações fiscais, de acordo com o relatório Doing Business do Banco Mundial.

Caminhos para um sistema mais justo

A discussão sobre reforma tributária voltou à pauta nos últimos anos. A proposta que tramita no Congresso Nacional busca simplificar o sistema com a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que unificaria tributos como ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins. O objetivo é tornar a tributação mais transparente, menos regressiva e facilitar a vida do contribuinte.

Além disso, há pressões para que a tributação sobre o consumo diminua e dê lugar a uma maior cobrança sobre renda e patrimônio, como forma de reduzir desigualdades sociais.

Em 20 anos, os brasileiros destinaram R$ 40 trilhões em tributos aos cofres públicos — valor que evidencia o tamanho da responsabilidade fiscal da população. Porém, a disparidade entre o que se paga e o que se recebe em retorno é um desafio que exige reformas estruturais, mais transparência no uso dos recursos e políticas públicas mais eficientes.

Entender para onde vão os impostos é o primeiro passo para cobrar mudanças e lutar por um sistema mais equilibrado e justo para todos. Afinal, pagar imposto é dever, mas ver o retorno é direito.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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