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Entenda os custos por trás da morte e sucessão de um papa

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A morte de um papa não envolve apenas luto e rituais religiosos. Por trás da comoção mundial e da mobilização de fiéis, existe uma estrutura cara e detalhadamente organizada. Da cerimônia pós-morte os custos com o conclave – a reunião dos cardeais para eleger um novo líder da Igreja Católica –, o processo envolve milhões de reais e impacta não apenas o Vaticano, mas também a economia de Roma e de países com forte ligação religiosa.

Cerimônia de sucessão e funeral de um papa no Vaticano.
A palavra “conclave” vem do latim cum clave (“com chave”), pois os cardeais são trancados na Capela Sistina para garantir sigilo total na eleição do novo papa |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Para que você possa entender, explicamos de forma simples quanto custa a morte de um papa, a escolha de seu sucessor e o impacto econômico de todo esse processo.

Cerimônia pós-morte: tradição e gastos milionários

Quando um papa morre, a primeira etapa é o cerimonial fúnebre, que segue um protocolo rígido. O corpo do pontífice é inicialmente preparado para velório e exposição pública, geralmente na Basílica de São Pedro, onde permanece por três a cinco dias para visitação dos fiéis. Estima-se que esse processo, incluindo transporte, segurança, liturgia, decoração e estrutura, custe entre R$ 4 milhões e R$ 7 milhões.

Os funerais oficiais duram nove dias, tradição conhecida como novendiales. Durante esse período, são realizadas missas, eventos litúrgicos e uma preparação intensa para o próximo passo: o conclave.

O custo de escolher um novo papa

Após a morte ou renúncia de um papa, o conclave é convocado para eleger seu sucessor. O processo ocorre na Capela Sistina, em um sistema fechado, onde cerca de 120 cardeais com menos de 80 anos participam da votação.

A organização desse conclave é extremamente cara. Além da logística de acomodação e segurança dos cardeais, o Vaticano precisa adaptar toda a Capela Sistina com sistemas especiais de vigilância e blindagem eletrônica para evitar vazamentos de informação.

Estima-se que os custos do conclave papal variem entre R$ 11 milhões e R$ 20 milhões, considerando hospedagem, transporte, alimentação, reformas, adaptações tecnológicas e segurança.

Em 2005, por exemplo, durante a eleição de Bento XVI, o processo teria custado cerca de US$ 8 milhões, valor que hoje ultrapassaria os R$ 40 milhões, considerando inflação e melhorias tecnológicas.

Comunicação, segurança e turismo: outros gastos indiretos

Além dos custos diretos, há também os custos indiretos que envolvem o funcionamento do Vaticano e a segurança do evento. O conclave é acompanhado por jornalistas do mundo inteiro e exige um aparato de imprensa robusto, com tradutores, estrutura para transmissão e comunicação oficial.

A segurança é outro ponto crítico. O Vaticano conta com a Guarda Suíça, mas recebe apoio de autoridades italianas para proteger as fronteiras, monitorar multidões e evitar ataques. Os gastos com reforço de segurança durante esse período podem ultrapassar R$ 10 milhões.

O impacto econômico: turismo, mídia e doações

Apesar dos altos gastos, a morte de um papa e a eleição de um novo pontífice têm forte impacto positivo na economia local. Em 2005, estima-se que mais de 3 milhões de pessoas visitaram Roma durante o funeral de João Paulo II e o conclave seguinte. A movimentação gerou mais de R$ 600 milhões em receita turística, envolvendo hotéis, restaurantes, lojas e transporte.

Além disso, o aumento de doações à Igreja e à Santa Sé costuma crescer nesse período, impulsionado por fiéis que acompanham o momento histórico.

A sucessão papal é um evento único que mistura fé, tradição e altos custos. Do funeral solene ao conclave secreto, cada etapa envolve gastos que chegam a dezenas de milhões de reais. No entanto, esse investimento também gera retorno em forma de turismo, mídia global e reforço da imagem da Igreja Católica.

Apesar de não ser um processo frequente, quando ocorre, a morte e sucessão de um papa movimenta não só o Vaticano, mas também economias locais e a fé de milhões ao redor do mundo.

Leia também: Entre a cruz e a mudança: a igreja após Francisco

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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