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Ações de empresas de VR despencam com possível fim do benefício

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Essa sexta-feira, 25 de abril, começou turbulenta para o mercado de ações, especialmente para empresas que operam com benefícios trabalhistas no Brasil. O motivo foi a notícia de que o governo federal estuda a substituição do vale-refeição tradicional por pagamentos diretos via Pix aos trabalhadores.

A proposta se alinha a um movimento maior de incentivo ao uso do Pix, que cresce de forma exponencial no Brasil | Foto: Reprodução/Canva
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A proposta se alinha a um movimento maior de incentivo ao uso do Pix, que cresce de forma exponencial no Brasil | Foto: Reprodução/Canva

A possibilidade, que ainda não foi confirmada oficialmente, provocou reações imediatas na Bolsa de Valores e acendeu um alerta entre investidores e especialistas do setor.

A principal afetada foi a Edenred, multinacional francesa responsável pela marca Ticket no Brasil, cujas ações chegaram a cair 14% nas negociações da manhã, marcando o pior desempenho desde outubro de 2024. A empresa tem uma operação bastante relevante no país, o que explica o impacto mais expressivo diante da incerteza regulatória.

Já a Pluxee, concorrente direta da Edenred, também viu suas ações recuarem 8,76%, acumulando sua maior queda desde março de 2025. A movimentação do mercado mostra o quanto os investidores estão atentos e preocupados com possíveis mudanças que impactem modelos consolidados de negócio.

O que está em jogo com o fim do vale-refeição?

De acordo com reportagens veiculadas na imprensa, o governo estuda um novo modelo para substituir o benefício alimentação. A proposta prevê que os valores hoje creditados em cartões específicos de VR (vale-refeição) passem a ser depositados diretamente na conta dos trabalhadores, por meio do Pix. A medida tem como objetivo ampliar a liberdade de escolha dos consumidores e reduzir taxas envolvidas nas operações com bandeiras e emissores.

Hoje, o benefício é utilizado de forma restrita: só pode ser usado para compra de alimentos em estabelecimentos credenciados. Com o Pix, haveria mais autonomia para o trabalhador escolher onde e como usar o dinheiro — mas também há preocupações sobre a destinação correta dos valores.

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Para as empresas como Edenred e Pluxee, isso representa um risco direto ao seu modelo de negócios. “Se essa mudança for implementada, será um obstáculo significativo para a Edenred”, avaliou Ben Slupecki, analista da consultoria Morningstar. Ele destacou ainda que, por ter operações mais relevantes no Brasil, a Edenred tende a ser mais afetada do que a concorrente.

A importância do Brasil na receita dessas empresas

Os números comprovam o peso do mercado brasileiro no faturamento das empresas de benefícios. Em 2024, a América Latina respondeu por € 769 milhões (cerca de R$ 4,4 bilhões) da receita da Edenred, representando 29,5% do total do grupo. Já a Pluxee teve € 405 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) de faturamento na região, equivalente a 38,4% do seu resultado global.

Esse protagonismo do Brasil ajuda a entender por que a simples possibilidade de mudança regulatória gera tanta volatilidade. Ainda que a substituição do vale-refeição pelo Pix não tenha sido confirmada, o receio de uma perda de mercado levou investidores a se desfazerem rapidamente dos papéis.

O que dizem os especialistas?

A proposta de mudar o modelo atual do vale-refeição já vinha sendo discutida em círculos técnicos. Uma das principais críticas ao sistema atual é o custo adicional que ele representa tanto para os empregadores quanto para os estabelecimentos comerciais, que precisam pagar taxas sobre as transações feitas nos cartões.

Por outro lado, há temores de que, ao receber o valor em dinheiro, muitos trabalhadores acabem não utilizando o benefício para alimentação, o que desvirtua sua função original. Isso levanta discussões sobre como garantir que a ajuda realmente cumpra seu papel no combate à insegurança alimentar.

“Do ponto de vista da eficiência econômica, o Pix pode ser vantajoso. Mas do ponto de vista social, será preciso criar mecanismos de controle para assegurar que o trabalhador continue tendo acesso à alimentação de qualidade”, analisa a economista Mariana Ramos.

Impacto no setor financeiro e nas empresas

A possível reformulação dos benefícios também toca em outro ponto: o avanço das soluções digitais de pagamento e a busca do governo por modernizar relações trabalhistas. A proposta se alinha a um movimento maior de incentivo ao uso do Pix, que cresce de forma exponencial no Brasil.

Entretanto, para empresas que construíram seu valor de mercado com base na gestão dos benefícios — como Edenred e Pluxee —, a mudança é vista como ameaça à continuidade de um modelo de negócios rentável. Elas podem precisar repensar seus produtos, investir em novas soluções e diversificar suas fontes de receita caso o projeto avance.

Por enquanto, o governo ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, mas a forte reação do mercado mostra que o debate está longe de ser apenas técnico. Ele envolve questões econômicas, sociais e trabalhistas, e pode mexer com a vida de milhões de trabalhadores brasileiros — e bilhões em receita de grandes empresas.

*Entrevistas concedidas a CNN

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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