Durante a UK Fintech Week 2025, um dos eventos mais importantes do setor financeiro no Reino Unido, um tema brasileiro roubou a cena: o Pix. Criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, o sistema de pagamentos instantâneos se tornou uma referência internacional e despertou curiosidade entre empresários, executivos e jornalistas estrangeiros que participaram da semana de painéis e discussões em Londres.

O sucesso do Pix foi mencionado de forma recorrente pelos representantes brasileiros presentes no evento, que relataram o espanto dos estrangeiros com a rápida adesão da ferramenta no Brasil. De acordo com Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), cerca de 96% da população adulta brasileira já utiliza o Pix, o que torna o país um verdadeiro case de sucesso em inovação bancária.
“O Pix é o principal tópico sobre o qual somos perguntados. Ele conseguiu o que muitos países ainda tentam: um meio de pagamento gratuito, instantâneo, seguro e de ampla aceitação. Isso naturalmente chama atenção de quem está acompanhando os avanços globais em tecnologia financeira”, afirmou Perez em entrevista a CNN.
Pix é um modelo a ser estudado
A eficiência e a escalabilidade do Pix têm impressionado especialistas. Em apenas quatro anos de operação, a ferramenta movimenta trilhões de reais por ano no Brasil. Só em 2024, foram mais de R$ 17,1 trilhões em transações, segundo dados do Banco Central.
Bruno Diniz, conselheiro do Open Finance Brasil, também percebe essa atenção internacional: “Em todo evento fora do país, o Pix aparece como tema. Querem entender como o Brasil conseguiu implantar algo tão inovador e com tamanha aceitação em tão pouco tempo.”
Essa admiração vem não apenas pela tecnologia, mas pelo impacto social e econômico da ferramenta. O Pix revolucionou a forma como brasileiros lidam com o dinheiro, permitindo transferências gratuitas 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana, o que facilitou a bancarização de parte da população antes excluída do sistema financeiro tradicional.
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Interesse também no Open Finance
Além do Pix, outro tema que vem chamando atenção é o Open Finance brasileiro, sistema que permite o compartilhamento de dados entre instituições financeiras com o consentimento do cliente. Inspirado no modelo britânico, o Open Finance no Brasil já acumula mais de 37 milhões de consentimentos ativos, o que o coloca entre os mais avançados do mundo.
Segundo Diniz, há uma percepção global de que o Brasil tem muito a ensinar nesse campo. “A combinação entre Pix e Open Finance cria um ecossistema robusto, que fomenta a concorrência e melhora os serviços oferecidos ao consumidor. Não é à toa que o Brasil está sendo observado com tanto interesse”, afirma.
Moeda digital também chama atenção
Outro ponto que despertou o interesse da imprensa internacional presente na UK Fintech Week foi o Drex, nome dado à moeda digital que está sendo desenvolvida pelo Banco Central brasileiro. O projeto busca digitalizar o real e viabilizar transações com ativos tokenizados, reforçando ainda mais a posição do Brasil como polo de inovação financeira.
Jornalistas britânicos que dividiram a sala de imprensa com a delegação brasileira mencionaram o Pix em reportagens, além de entrevistarem especialistas do Brasil para entender melhor como o país conseguiu avançar tanto nessa área.
Brasil no palco global da inovação financeira
Nesta terça-feira, 29 de abril, o tema voltou com força na 11ª edição do Innovate Finance Global Summit (IFGS), evento âncora da UK Fintech Week. Com uma programação repleta de painéis, palestras e momentos de networking, o IFGS reuniu delegações do mundo todo e foi mais uma oportunidade para o Brasil demonstrar seu protagonismo no cenário de inovação bancária.
A presença brasileira em eventos como esse, aliada ao reconhecimento internacional de ferramentas como o Pix e o Open Finance, consolida o país como uma vitrine de boas práticas em tecnologia financeira. E esse movimento não é apenas institucional: impacta diretamente o dia a dia de milhões de brasileiros que agora conseguem enviar e receber dinheiro em segundos, sem pagar taxas, com apenas alguns cliques.
Num mundo em que a digitalização dos serviços financeiros é inevitável, o Brasil mostra que é possível fazer isso com eficiência, segurança e inclusão.


