O governo brasileiro vai investir R$ 23 bilhões no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, anunciou neste domingo, 27 de abril, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Segundo ela, o valor coloca o Brasil ao nível comparável ao de países europeus no desenvolvimento da tecnologia.
Durante a cerimônia de abertura do Web Summit Rio, considerado o maior evento de inovação e tecnologia da América Latina, Luciana destacou a importância estratégica desse movimento. “Nós precisamos de infraestrutura robusta e de soluções de inteligência artificial para áreas como agricultura, serviços públicos, educação e saúde”, afirmou.

A edição deste ano do Web Summit acontece pela terceira vez na cidade do Rio de Janeiro e vai até quarta-feira, 30 de abril, reunindo mais de 34 mil participantes no Riocentro, na Barra da Tijuca. Para Luciana Santos, a presença brasileira em um evento dessa magnitude reforça o compromisso do país em liderar a transformação tecnológica na região.
Ela também explicou que o governo está desenvolvendo 35 soluções de software que operam em português, buscando atender as necessidades locais e ampliar a acessibilidade da tecnologia para a população. Outro destaque foi a menção ao supercomputador Santos Dumont, localizado em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, que figura entre os 100 mais potentes do mundo e será essencial para impulsionar os projetos de IA no Brasil.
“Estamos prontos e preparados para uma era de rupturas e oportunidades”, concluiu a ministra, demonstrando otimismo em relação às transformações que a inteligência artificial poderá trazer para o país nos próximos anos.
IA, regulação e desafios comerciais em debate
Além dos anúncios de investimentos, o Web Summit Rio também abriu espaço para discussões fundamentais sobre os rumos da tecnologia. Entre os temas centrais estão os dilemas da inteligência artificial generativa e a regulação das redes sociais. Esses debates acontecem em um cenário global complexo, marcado por incertezas geopolíticas e econômicas.
“O mundo está mudando rapidamente. O poder não está mais concentrado, ele se move e se multiplica. E todos se perguntam: o que vem depois? Por isso estamos aqui”, disse Paddy Cosgrave, fundador e diretor-executivo do Web Summit, na abertura do evento.
A conferência ocorre em meio aos efeitos da guerra comercial iniciada pelo presidente americano Donald Trump, que afetou relações com China e Europa e intensificou a corrida global por tecnologias-chave. Representantes de gigantes como Nvidia, TikTok, Meta e OpenAI debatem o futuro da IA generativa, além de abordarem o desenvolvimento de semicondutores mais eficientes e sustentáveis.
Esses temas ganharam ainda mais destaque após recentes escaladas nas tarifas comerciais dos Estados Unidos, aumentando a competitividade entre grandes potências e ampliando a urgência de inovação independente.
Outro ponto forte do evento é a sustentabilidade. Tecnologias voltadas para enfrentar desafios ambientais são debatidas num momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em novembro, na cidade de Belém, no Pará. Soluções inovadoras serão essenciais para atender às metas climáticas e de desenvolvimento sustentável.
A regulação das plataformas digitais também está no centro das atenções. Questões como a linha tênue entre liberdade de expressão e a disseminação de desinformação serão debatidas, contando com a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. A discussão vem na esteira das polêmicas suspensões temporárias das redes sociais X e Rumble no Brasil.
Além dos debates sobre tecnologia e regulação, o evento também celebra o crescimento do setor fintech na América Latina, que vem ampliando o acesso a serviços financeiros para populações historicamente marginalizadas.
Para Paddy Cosgrave, a Web Summit Rio é mais do que uma série de palestras: “Trata-se de conectar pessoas que definem acordos comerciais, impulsionam investimentos e globalizam a inovação local”, disse ele à AFP antes da abertura.
O sucesso do evento levou à confirmação de que o Rio de Janeiro continuará recebendo o Web Summit latino-americano até 2030. Aproveitando o impulso, o prefeito Eduardo Paes anunciou a criação de um campus de Inteligência Artificial de ponta, movido integralmente por energia limpa.
Ao todo, cerca de 500 empresas e mil startups apresentam suas iniciativas a investidores. A expectativa é que a Web Summit Rio 2025 consolide ainda mais a posição do evento como um dos maiores encontros tecnológicos da região.
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