A decisão de muitos millennials de não terem filhos pode impactar diretamente a economia dos Estados Unidos, reduzindo o Produto Interno Bruto (PIB) do país em até 4%, segundo especialistas. O fenômeno, impulsionado por fatores como alto custo de vida, dificuldades no mercado de trabalho e preocupações ambientais, já se reflete nos números: a taxa de natalidade caiu mais da metade desde os anos 1960.

Queda na natalidade preocupa economistas
De acordo com o Federal Reserve de St. Louis, nos anos 1960, cerca de 24 bebês nasciam para cada 1.000 habitantes nos EUA. Em 2022, essa taxa caiu para 11, e dados mais recentes apontam que essa tendência de declínio continua.
A professora de demografia Melinda Mills, da Universidade de Oxford, explica que a baixa fertilidade combinada ao aumento da expectativa de vida gera desafios estruturais. “Isso impacta o mercado de trabalho, a previdência, os sistemas de saúde e até a infraestrutura das cidades”, destaca.
James Pomeroy, economista global do HSBC, prevê que esse cenário pode reduzir o PIB dos EUA em até 4%. A escassez de trabalhadores pode comprometer setores essenciais, desde a saúde até serviços básicos do dia a dia.
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O estilo de vida sem filhos e a economia
A expectativa de um “baby boom” pós-pandemia não se concretizou. Pelo contrário, os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que a taxa de fertilidade atingiu o menor nível histórico em 2023: apenas 55 nascimentos para cada 1.000 mulheres entre 15 e 44 anos.
Cada vez mais casais millennials adotam o estilo de vida “DINK” (dupla renda, sem filhos), priorizando a estabilidade financeira e a liberdade profissional. Uma pesquisa do Pew Research revelou que 38% dos entrevistados não querem filhos por preocupações com o mundo, enquanto 36% alegam que não podem arcar com os custos.
O mercado de trabalho também desempenha um papel crucial nessa decisão. A dificuldade em conciliar carreira e maternidade, a desigualdade de gênero e os altos custos com moradia e educação desestimulam muitos jovens a terem filhos.
Como o envelhecimento populacional afeta a economia
O impacto da baixa natalidade já é visível. No Reino Unido, por exemplo, 33% dos trabalhadores do sistema de saúde em 2022 eram imigrantes, evidenciando a falta de mão de obra local. Nos EUA, a diminuição da população economicamente ativa pode gerar uma crise em setores que dependem de alta demanda, como serviços e varejo.
Além disso, há desafios na previdência e nos sistemas de aposentadoria. Com menos jovens contribuindo, será necessário repensar a idade mínima para aposentadoria ou buscar outras fontes de financiamento para sustentar os idosos.
A decisão dos millennials de terem menos filhos não é apenas uma questão pessoal, mas um fator determinante para o futuro da economia global. À medida que a taxa de natalidade continua caindo, governos e empresas precisarão criar estratégias para lidar com os impactos do envelhecimento populacional, garantindo um equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida.


