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Queda na natalidade em SP pressiona Previdência e economia

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Nos últimos 40 anos, o estado de São Paulo vem enfrentando uma mudança demográfica significativa: a queda na taxa de natalidade. De acordo com a Fundação Seade, o número de nascimentos caiu 28,5% no período, passando de 700 mil em meados da década de 1980 para cerca de 500 mil em 2024. A tendência acendeu um alerta para possíveis impactos econômicos e sociais, sobretudo em relação à força de trabalho e à sustentabilidade do sistema previdenciário.

A queda da natalidade em São Paulo é um retrato local de um fenômeno global. Em países como Japão, Itália e Coreia do Sul, a baixa taxa de fecundidade já gerou crises econômicas e colapsos populacionais em determinadas regiões | Foto: Reprodução/Canva
A queda da natalidade em São Paulo é um retrato local de um fenômeno global. Em países como Japão, Itália e Coreia do Sul, a baixa taxa de fecundidade já gerou crises econômicas e colapsos populacionais | Foto: Reprodução/Canva

A mudança no perfil das mães também é marcante. Em 2000, 73% das mulheres que davam à luz tinham até 29 anos. Em 2024, esse número caiu para 55%, enquanto a participação de mães com idades entre 35 e 39 anos mais do que dobrou, passando de 7,6% para 16,3%.

Esse adiamento da maternidade reflete transformações sociais, como o maior foco na carreira, acesso à educação, e o alto custo de vida, especialmente na capital paulista. Porém, as consequências econômicas desse comportamento reprodutivo já se fazem sentir — e tendem a se intensificar nas próximas décadas.

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Queda nos nascimentos revela diminuição da mão de obra

A queda da natalidade em São Paulo pode resultar, a médio e longo prazo, em uma redução da força de trabalho disponível. Isso significa que haverá menos jovens para ocupar vagas no mercado e sustentar a economia produtiva.

Na prática, a escassez de trabalhadores pode pressionar salários para cima e exigir investimentos mais pesados em automação para compensar a mão de obra faltante. O impacto será sentido especialmente em setores que demandam maior volume de pessoal, como serviços e indústria.

Pressão sobre a Previdência

Outro ponto crítico é a sustentabilidade da Previdência Social. Atualmente, o Brasil possui cerca de 6,5 trabalhadores ativos para cada aposentado, mas esse número já foi de 13,1 em 1997. Se a tendência atual se mantiver, a previsão é de que, em 2050, essa proporção caia para apenas 2,8 trabalhadores por aposentado.

A título de comparação, um trabalhador brasileiro que hoje ganha R$ 3.000 (cerca de US$ 575 na cotação de maio de 2025) contribui com aproximadamente R$ 330 mensais ao INSS, enquanto um benefício médio de aposentadoria gira em torno de R$ 1.800. Com menos contribuintes sustentando um número crescente de aposentados, o déficit previdenciário pode se agravar.

O professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renan Pieri, alerta: “Sem reformas significativas, os sistemas previdenciários podem se tornar insustentáveis. Será necessário pensar em novas formas de refinanciamento e repensar o papel do Estado nesse cenário.”

Expectativa de vida aumenta, e com ela os gastos

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida global aumentou em sete anos desde 1997, alcançando os 73 anos em 2023. A projeção para 2050 é que esse número suba para 77 anos.

Esse envelhecimento populacional representa um desafio duplo: não só haverá mais idosos para sustentar, como esses idosos viverão mais tempo — e, portanto, demandarão mais gastos públicos com saúde, medicamentos e aposentadorias.

Educação e produtividade: caminhos possíveis

Com menos jovens disponíveis no futuro mercado de trabalho, será essencial investir em educação de qualidade. A lógica é clara: se o Brasil terá menos trabalhadores, esses trabalhadores precisarão ser mais produtivos.

“Um jovem bem formado pode produzir mais do que dois com formação deficiente”, afirma Pieri. “É por isso que, mais do que quantidade, devemos mirar em qualidade.”

Segundo dados do IBGE, o custo anual de um aluno da educação básica pública no Brasil gira em torno de R$ 5.600. Investir mais nessa base pode gerar retornos significativos em produtividade e renda futura — além de ajudar a manter a economia ativa mesmo com um contingente populacional menor.

Políticas públicas e o futuro

A queda da natalidade em São Paulo é um retrato local de um fenômeno global. Em países como Japão, Itália e Coreia do Sul, a baixa taxa de fecundidade já gerou crises econômicas e colapsos populacionais em determinadas regiões.

No Brasil, a taxa de fecundidade caiu de 6,1 filhos por mulher em 1960 para apenas 1,6 em 2023 — abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1 filhos por mulher.

Diante desse cenário, especialistas recomendam uma reavaliação profunda das políticas públicas. Isso inclui:

  • adaptação do mercado de trabalho para acomodar profissionais mais velhos;
  • incentivo à natalidade (como auxílio-maternidade mais robusto e creches públicas);
  • e reformas na Previdência para garantir sua sustentabilidade.

A sociedade está mudando, e o modelo econômico precisa acompanhar esse novo desenho populacional. Se antes o desafio era gerar emprego para milhões de jovens, agora o desafio será ter jovens suficientes para ocupar as vagas e sustentar o futuro.

*Entrevista concedida ao InfoMoney.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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