A regulamentação das apostas online no Brasil começou a mostrar seus primeiros impactos concretos na economia. Entre janeiro e maio de 2025, o setor arrecadou R$ 3,026 bilhões em tributos, de acordo com dados divulgados pela Receita Federal. Apenas em maio, foram recolhidos R$ 814 milhões, estabelecendo um recorde mensal desde que a regulamentação entrou em vigor.
O valor arrecadado em cinco meses representa mais de 25% da média de R$ 12 bilhões prevista pelo governo para o ano inteiro. Com esse desempenho, as apostas superaram em arrecadação tributária setores consolidados como a educação, que recolheu R$ 516 milhões no mesmo período, o varejo, com R$ 507 milhões, e a indústria de máquinas e equipamentos, que contribuiu com R$ 408 milhões.
Esse crescimento acelerado reforça o potencial do setor como uma nova fonte relevante de receitas para a União. Em entrevista ao Infomoney, André Baldavira, Head de Marketing da GingaBet, revelou que a regulação trouxe mais segurança jurídica e atraiu investimentos. “É um setor que amadurece rapidamente. As empresas que priorizam boas práticas estão se destacando e consolidando posições importantes”, afirmou.
A nova legislação, em vigor desde o fim de 2024, estabelece a tributação sobre a receita líquida das casas de aposta, o chamado GGR (Gross Gaming Revenue). Atualmente, a alíquota aplicada é de 15%, mas o Ministério da Fazenda estuda elevá-la para 18%, o que poderia aumentar ainda mais a arrecadação.
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O que dizem as pesquisas sobre as apostas?
Apesar dos bons resultados, especialistas alertam para o mercado ilegal. De acordo com estudo da LCA Consultores, realizado com apoio do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), o Brasil perde anualmente R$ 10,8 bilhões com apostas feitas em sites não regulamentados. A pesquisa mostra que 61% dos entrevistados já utilizaram essas plataformas em 2025, muitas vezes sem saber que eram ilegais.
Além disso, 78% dos apostadores afirmaram ter dificuldade em identificar se um site é legalizado, enquanto 72% disseram que não conseguem checar a regularidade da plataforma. O dado mais preocupante é que 73% dos usuários admitiram ter usado pelo menos uma plataforma ilegal mesmo após a regulamentação.
Para Igor Sá, COO da HiperBet, o combate ao mercado clandestino é crucial. “A arrecadação só vai crescer de forma sustentável se houver fiscalização efetiva. Plataformas ilegais drenam receita, minam a concorrência e colocam os consumidores em risco”, alerta em entrevista ao Infomoney.
A mesma opinião é compartilhada ao Infomoney por Alex Rose, CEO da InPlaySoft. Ele destaca que, embora a regulamentação traga benefícios como geração de empregos e receita pública, um excesso de impostos pode provocar o efeito contrário. “Tributação alta demais empurra parte dos usuários para o mercado ilegal. O equilíbrio entre regulação, carga tributária e proteção ao consumidor é essencial”, afirma.
Em números, o setor de apostas online brasileiro já movimenta bilhões de reais e cresce em ritmo acelerado. Se mantido o atual patamar de arrecadação, o valor total pode ultrapassar os R$ 7 bilhões ainda em 2025, acima da média prevista inicialmente pelo governo federal.
Essa performance coloca o Brasil no radar de operadoras internacionais. O país é hoje considerado um dos mercados mais promissores do mundo para apostas esportivas e jogos online. Desde a entrada em vigor da nova legislação, grandes players passaram a atuar de forma oficial no Brasil, abrindo filiais, investindo em marketing e ampliando equipes.
Mas o avanço também exige responsabilidade. A necessidade de promover uma cultura de jogo responsável é um dos temas mais debatidos dentro do setor. Daniel Fortune, influenciador que atua com conscientização no ambiente digital, afirma que a popularização das apostas deve vir acompanhada de educação. “Com o crescimento desse mercado, é urgente desenvolver ferramentas de apoio ao apostador. Precisamos ensinar, prevenir e acolher. Um ambiente saudável depende disso”, afirma em entrevista ao site.
O IBJR também defende a implementação de alertas visuais, limites de gastos e sistemas de autoexclusão como medidas fundamentais para garantir a segurança dos usuários e evitar transtornos ligados ao vício em jogos.
A discussão sobre a elevação de impostos deve ganhar força nos próximos meses. O Ministério da Fazenda avalia os impactos fiscais e sociais da proposta de aumentar a alíquota de 15% para 18%. Se por um lado a medida pode reforçar o caixa do governo, por outro, especialistas alertam para a fuga de operadores e jogadores para o mercado ilegal.
Fellipe Fraga, CBO da EstrelaBet, considera que os números comprovam a força do setor, mas é preciso estratégia. “Superamos R$ 3 bilhões em apenas cinco meses. É um marco que mostra a relevância da indústria. Mas para manter esse ritmo, precisamos de políticas públicas bem planejadas, com foco em desenvolvimento sustentável e combate efetivo à ilegalidade”, diz ao jornalista do InfoMoney.
Com o avanço da regulação e o crescimento expressivo da arrecadação, o setor de apostas digitais se consolida como um novo pilar da economia brasileira. A chave, agora, está em manter o equilíbrio entre incentivo à legalidade, proteção ao consumidor e desenvolvimento econômico de longo prazo.


