Não houve eixo maior e mais forte do que o econômico que superasse os rumos das conversas no país durante o último raio de semana. Tudo passou a ser sobre economia, mesmo um ano e meio antes das eleições de 2026. Começando pelo IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e seu aumento, medida tomada pelo governo para aumentar a arrecadação e evitar corte de gastos em áreas sociais.
Mas o Congresso derrubou, fazendo o assunto parar no Supremo Tribunal Federal (STF), por iniciativa da Advocacia-Geral da União (AGU). No frigir dos ovos, uma audiência de conciliação foi marcada pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, para o dia 15 de julho.
Pouco depois, o debate escalou para a taxação dos super-ricos. A certificação de que aqueles com fortunas colossais contribuam mais para o bolo nacional, em um país de tamanha desigualdade, reacendeu a chama da justiça social. Mas a discussão não ficou apenas nas mesas de café.

O que vimos foram manifestações nos prédios do Itaú, na Faria Lima, além de um famoso e ostensivo shopping da zona sul do Rio de Janeiro, com ativistas e cidadãos exigindo que os bilionários paguem a sua parte. Segundo a revista Forbes e sua lista de bilionários no mundo, em 1º de abril deste ano, houve um número recorde de 3.028 pessoas ao redor do mundo. Destes, 55 brasileiros são brazucas.
Se a ebulição interna era pouca, foi o cenário externo que nos atingiu em cheio. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, acenou com a possibilidade de impor tarifas adicionais aos produtos brasileiros: 50%. A justificativa, dessa vez, ganhou um contorno político inusitado: pressionar o Brasil, de maneira política, em razão do que acontece com Jair Bolsonaro, ex-presidente que enfrenta questões legais e políticas.
A grande questão que paira sobre todos esses debates é: quem realmente se beneficia no final? Se a taxação dos super-ricos avança, e se os impostos são bem aplicados, há uma chance real de que a sociedade como um todo, e especialmente as camadas mais vulneráveis, sintam os efeitos na vida cotidiana. Por outro lado, se a pressão externa de tarifas se concretizar, e se a elite econômica consegue blindar seus privilégios de impostos, o risco é que a balança continue pendendo para o lado de quem já tem muito.


