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Brasileiros acumulam R$ 3,5 trilhões no exterior: entenda onde está esse dinheiro

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O valor de dinheiro e investimentos de brasileiros fora do país atingiu a marca de R$ 3,5 trilhões em 2024, segundo dados divulgados na última sexta-feira, 25 de julho, pelo Banco Central (BC). As informações fazem parte da declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), obrigatória para quem vive no Brasil e possui ativos no exterior acima de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões).

Brasileiros têm dinheiro fora em investimentos internacionais
Ao todo, 29.068 brasileiros informaram possuir patrimônio fora do país. Entre eles, 25.208 são pessoas físicas, com um total de R$ 1,3 bilhão no exterior, e 3.860 são empresas, que juntas somam R$ 2,2 trilhões | Foto: Reprodução / Canva

Esses ativos incluem não apenas dinheiro em contas bancárias, mas também empresas, imóveis, ações, títulos, empréstimos e até moedas estrangeiras.

A maior parte desse valor está aplicada diretamente em negócios no setor produtivo de outros países, num total de R$ 2,72 trilhões. O restante está dividido entre empréstimos, créditos e moedas (R$ 467 bilhões) e ações e títulos (R$ 339 bilhões).

Para onde vai o dinheiro?

A distribuição geográfica mostra que a maior fatia dos investimentos de brasileiros está em países conhecidos como paraísos fiscais ou com regimes tributários mais favoráveis. Só nos Países Baixos, por exemplo, estão R$ 513 bilhões. Em seguida vêm as Ilhas Virgens Britânicas (R$ 450 bilhões), Ilhas Cayman (R$ 395 bilhões), Bahamas (R$ 313 bilhões), Luxemburgo (R$ 189 bilhões) e os Estados Unidos, com R$ 113 bilhões. Os valores foram convertidos na cotação do dólar em julho de 2025.

Esses países costumam atrair investidores por oferecerem menores impostos, menos burocracia e regras mais flexíveis para empresas e transações financeiras. Muitas vezes, brasileiros abrem empresas nesses locais apenas para gerenciar investimentos ou pagar menos impostos.

Já olhando para os setores onde o dinheiro é aplicado, os serviços lideram com R$ 1,7 trilhão, principalmente em empresas financeiras e holdings (empresas que controlam outras). Em seguida vêm a agricultura, pecuária e extração mineral, com R$ 469 bilhões, sendo destaque a exploração de petróleo e gás natural. A indústria ficou com R$ 227 bilhões.

O que isso significa para o Brasil?

Ver tanto dinheiro fora do país reforça o questionamento sobre o impacto disso para a economia brasileira. Por um lado, o investimento de brasileiros no exterior pode trazer lucros que depois retornam ao país. Empresas podem ganhar competitividade internacional, diversificar seus negócios e até enviar dividendos para o Brasil. Isso ajuda a equilibrar a balança de pagamentos, que registra tudo o que entra e sai de dinheiro do país.

Por outro lado, quando muito dinheiro vai para fora, deixa de ser investido aqui. Isso pode significar menos geração de empregos, arrecadação de impostos e menos crescimento econômico interno. O capital que poderia financiar fábricas, startups ou infraestrutura dentro do Brasil, por exemplo, acaba sendo usado para movimentar a economia de outros países.

Além disso, a presença de recursos em paraísos fiscais levanta dúvidas sobre a origem do dinheiro, se os impostos foram devidamente pagos e se há práticas de evasão fiscal envolvidas. Embora a declaração ao Banco Central tenha fins estatísticos e não signifique ilegalidade, a concentração em locais com regras mais brandas chama a atenção.

Outro ponto é a dependência do Brasil em relação ao cenário internacional. Quando há crises fora do país, como guerras, quebras de bancos ou instabilidades políticas, o valor desses ativos pode se desvalorizar ou se tornar inacessível, afetando diretamente os brasileiros que investiram lá fora.

Monitoramento e transparência

A declaração de Capitais Brasileiros no Exterior é uma das formas de o Banco Central monitorar esses movimentos. Além da declaração anual, existe também uma declaração trimestral obrigatória para quem possui mais de US$ 100 milhões no exterior (cerca de R$ 540 milhões). Essas informações ajudam a formar um retrato mais claro sobre o chamado “ativo externo da economia brasileira”, ou seja, tudo o que o Brasil possui fora de suas fronteiras.

Mesmo sendo dados voltados para fins estatísticos, eles são importantes para avaliar o comportamento dos investidores brasileiros, entender para onde o capital nacional está indo e pensar em políticas públicas que estimulem investimentos dentro do país.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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