Quando pensamos em riqueza, é comum que bancos, imóveis e ações venham à mente. Mas uma das principais fontes de fortuna dos séculos XX e XXI é algo menos tangível no cotidiano da maioria das pessoas: o petróleo. Considerado o “ouro negro”, essa commodity é uma das principais engrenagens da economia global até hoje.
Mesmo em meio aos debates sobre transição energética, a verdade é que o petróleo ainda domina e muito a matriz energética mundial e foi sobre esse tema que os hots do Podcast Bilhões, o Lado B da Moeda, discutirem no último episódio.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), em 2024, mais de 80% da energia consumida no mundo ainda vinha de fontes fósseis como petróleo, carvão e gás natural. Sozinho, o petróleo representa de 29,5% a 34,3% dessa demanda. Isso significa que quase um terço de tudo que movimenta o mundo – de carros a aviões, de indústrias a plásticos – depende direta ou indiretamente desse recurso.
A produção diária global gira entre 103 e 105 milhões de barris por dia, conforme projeções de 2025. Esse volume movimenta um mercado trilionário. Só para ter uma ideia, a Saudi Aramco, empresa estatal da Arábia Saudita, é avaliada em cerca de US$ 1,8 trilhão – o equivalente a aproximadamente R$ 9,8 trilhões.
Mas a extração de petróleo não é simples nem barata. No Brasil, segundo o professor William Nozaki, pesquisador da área de transição energética e assessor do governo federal, uma única perfuração de pesquisa pode custar, em média, R$ 6 milhões. Isso sem sequer ter a certeza de encontrar petróleo. A atividade exige tecnologia avançada, logística complexa e impacto ambiental elevado.

O Brasil tem papel relevante nesse cenário. Em 2023, o país alcançou a oitava posição entre os maiores produtores mundiais de petróleo, com destaque para as reservas do pré-sal nas bacias de Santos e Campos. Essas regiões respondem por grande parte da produção nacional.
A descoberta do pré-sal, em 2007, foi considerada uma revolução para a economia brasileira. Além de colocar o Brasil no radar das grandes potências energéticas, impulsionou investimentos públicos e privados e aumentou os dividendos pagos pela Petrobras, estatal que hoje figura entre as 10 maiores petrolíferas do mundo, ocupando a nona posição.
O impacto do petróleo vai além dos números: transformou cidades inteiras no litoral do Rio de Janeiro com os royalties da exploração, alterou o perfil industrial do país e atraiu olhares internacionais. No entanto, também trouxe desafios de governança, sustentabilidade e gestão dos recursos.
Conflitos e geopolítica: quem controla o petróleo, controla poder
Não é coincidência que muitos dos países com grandes reservas de petróleo enfrentem conflitos armados ou tensões diplomáticas. O Oriente Médio é o exemplo mais evidente. A guerra em curso na região em 2025, citada no podcast, é apenas mais um capítulo da longa história de disputas por controle energético.
Petróleo significa poder: abastece tanques, navios, aviões e indústrias militares. Controlar essa fonte de energia é garantir vantagem geopolítica. E por isso, famílias como a Al Saud, da Arábia Saudita, acumulam fortunas inimagináveis. A riqueza da dinastia, segundo estimativas da Bloomberg, ultrapassa US$ 1,4 trilhão, ou cerca de R$ 6,8 trilhões. Desses, aproximadamente 2 mil membros da família estão diretamente ligados à gestão do poder econômico e político do país.
Transição energética: desafio do século XXI
Com a urgência das mudanças climáticas e a pressão dos acordos internacionais, como o Acordo de Paris, o mundo tem buscado alternativas. A meta é clara: reduzir as emissões de gases de efeito estufa e substituir os combustíveis fósseis por fontes limpas.
Países como a Noruega são referências. O país escandinavo criou um fundo soberano com os lucros do petróleo, investindo em educação, saúde e transição energética. Hoje, mesmo sendo um dos maiores exportadores de petróleo da Europa, lidera o ranking de uso de carros elétricos e já iniciou o processo de descarbonização da economia.
O Brasil também dá sinais de avanço. A COP30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, colocará o país no centro das discussões climáticas. Ao mesmo tempo, a instalação de uma nova fábrica de carros elétricos na Bahia, com previsão de gerar 30 mil empregos, indica que o país está se movendo, ainda que lentamente, rumo a uma economia mais verde.
Apesar da pressão por uma transição energética, ela não pode ser feita de forma abrupta. Isso causaria choques econômicos e sociais irreparáveis, especialmente em países que ainda dependem fortemente do petróleo para sua economia.
A mudança precisa ser planejada, gradual e democrática. E, acima de tudo, com participação popular e transparência. O petróleo já moldou o século XX. Agora, cabe à sociedade decidir como será o século XXI.


