O sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix, começa a ser adotado em larga escala nos Estados Unidos. A expansão acontece mesmo diante de críticas do presidente Donald Trump que, em discursos recentes, afirmou que a plataforma representa uma ameaça à soberania financeira americana. Apesar da posição do governo, lojistas americanos já estão oferecendo o sistema a turistas brasileiros.

A operação é possível graças a uma parceria entre a brasileira PagBrasil e a empresa de pagamentos Verifone, que permitirá a ativação do Pix em maquininhas nos pontos de venda físicos dos Estados Unidos. Com isso, brasileiros em viagem ao país poderão pagar compras escaneando um QR code gerado na hora, como já fazem no Brasil.
Antes, a ferramenta só podia ser usado nos EUA em situações limitadas, como quando o lojista tinha uma chave Pix brasileira. Agora, o sistema passa a funcionar oficialmente em território americano, com valores exibidos em reais e pagamentos feitos diretamente por aplicativos bancários do Brasil.
Trump critica Pix e vincula sistema a “controle estatal”
O presidente Donald Trump tem criticado publicamente o avanço de sistemas de pagamento instantâneo como o Pix. Em discursos recentes, afirmou que a popularização desse tipo de tecnologia pode ser usada para “monitorar e controlar consumidores”, relacionando o sistema brasileiro a ideias de centralização financeira por parte dos governos.
Trump também tem colocado a plataforma no centro de um debate ideológico mais amplo sobre moedas digitais e o papel do Estado na economia. Segundo ele, iniciativas como o Pix representam riscos para o que chama de “liberdade financeira dos americanos”.
Apesar das declarações, o Pix continua a ser uma ferramenta cada vez mais utilizada por brasileiros e está ganhando espaço em países com grande fluxo de turistas vindos do Brasil. Especialistas em tecnologia e mercado financeiro afirmam que a ferramenta não é uma moeda digital emitida por governo, nem está vinculado a bancos centrais estrangeiros. Trata-se de um sistema de transferências criado pelo Banco Central do Brasil e operado por instituições financeiras autorizadas.
Pagamento rápido e mais barato para turistas brasileiros
Para os brasileiros que visitam os Estados Unidos, o uso da plataforma traz vantagens práticas. Na loja, o valor da compra é digitado em dólares na maquininha. Em seguida, um QR code é gerado e exibido para o cliente, que visualiza o preço já convertido em reais no seu aplicativo bancário. O valor inclui o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), de 3,5%.
O consumidor então escaneia o código, confirma o valor e autoriza o pagamento. Todo o processo ocorre em tempo real, e o lojista recebe o valor em dólares de forma instantânea. Além da velocidade, outra vantagem é o custo: enquanto o Pix internacional cobra cerca de 2% da operação, o cartão de crédito tradicional pode custar entre 2% e 3%, somado a taxas fixas.
A expectativa é que o sistema seja bem recebido, especialmente em estados como Flórida e Nova York, onde há grande presença de turistas brasileiros. Hoje, cerca de 1,9 milhão de brasileiros visitam os EUA por ano — número que deve crescer nos próximos anos, com a Copa do Mundo de 2026 como um dos fatores de estímulo ao turismo.
Pix se consolida como modelo exportado pelo Brasil
O avanço da ferramenta nos Estados Unidos reforça um movimento internacional de adoção e adaptação da tecnologia brasileira. Em Portugal, o sistema foi lançado em 2023 por meio da fintech Braza Bank e da adquirente Unicre, voltado para 1,1 milhão de brasileiros que visitam o país anualmente. Na Argentina, o Pix começou a ser aceito no início de 2024, por meio do Mercado Pago, empresa ligada ao Mercado Livre.
Além disso, o sistema de pagamentos brasileiro também inspira projetos em outros países. A Colômbia, por exemplo, prepara o lançamento do Bre-B, seu próprio sistema de transferências instantâneas, que será operado com tecnologia da fintech brasileira Dock e tem o Pix como principal referência.
Mesmo com a oposição de lideranças políticas como Trump, a ferramenta segue se expandindo. Para analistas, o modelo brasileiro tem chamado atenção por seu baixo custo, agilidade e ampla aceitação entre consumidores. Sua presença crescente em países com forte turismo brasileiro mostra que a demanda parte do mercado, independentemente de disputas ideológicas.
Enquanto o debate político continua, o Pix já se tornou um dos principais produtos financeiros de exportação do Brasil — e, agora, circula oficialmente também nas lojas americanas.


