A caderneta de poupança registrou um desempenho positivo em junho de 2025, com mais depósitos do que retiradas. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, os depósitos superaram os saques em R$ 2,1 bilhões.
Esse foi o melhor resultado mensal do ano e o segundo mês seguido com entrada líquida de recursos, indicando uma leve recuperação da aplicação. No entanto, esse bom desempenho ainda não foi suficiente para compensar os resultados negativos acumulados desde o início do ano.

Entre janeiro e abril, a poupança enfrentou forte retirada de recursos por parte dos investidores. Nesse período, foram sacados R$ 52,1 bilhões a mais do que foi depositado.
Somando todo o primeiro semestre, mesmo com os saldos positivos de maio e junho, o resultado geral continua negativo: R$ 49,6 bilhões a menos. Isso mostra que, embora a situação tenha melhorado nos últimos dois meses, os brasileiros ainda continuam retirando mais dinheiro da poupança do que aplicando nela.
Comparação com 2024 mostra forte queda
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado de junho também é considerado fraco. Em junho de 2024, a poupança havia recebido R$ 12,7 bilhões líquidos em depósitos. Já neste ano, a entrada líquida foi de apenas R$ 2,1 bilhões, o que representa uma queda de mais de 82%.
Essa diferença reforça a perda de atratividade da caderneta, mesmo em um cenário em que parte da população continua utilizando a aplicação como reserva financeira.
Mesmo com os saques ao longo de 2025, o saldo total aplicado na poupança continua alto. Desde o fim de 2024, o volume total guardado pelos brasileiros na caderneta voltou a ultrapassar a marca de R$ 1 trilhão, algo que não acontecia desde julho de 2022.
Em junho deste ano, o saldo total ficou em R$ 1,019 trilhão. Esse valor inclui tanto os depósitos do sistema SBPE, voltados principalmente ao financiamento habitacional, quanto os da poupança rural.
No mês passado, os depósitos somaram R$ 365,7 bilhões e os saques chegaram a R$ 363,5 bilhões, o que gerou o saldo positivo de R$ 2,1 bilhões. Além disso, foram creditados R$ 6,4 bilhões em rendimento nas contas, valor que representa o retorno recebido pelos investidores.
Entenda como funciona o rendimento da poupança
Atualmente, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR, que é a Taxa Referencial. A TR é calculada diariamente pelo Banco Central e tem valor muito próximo de zero na maior parte do tempo. Isso faz com que o rendimento real da poupança fique em torno de 0,5% ao mês, ou cerca de 6,17% ao ano. Essa fórmula de rendimento vale sempre que a taxa básica de juros da economia, a Selic, está acima de 8,5% ao ano. Como atualmente a Selic está em 15%, essa regra continua em vigor.
Na prática, isso significa que quem tem R$ 1.000 na poupança recebe por volta de R$ 5 por mês, além de um valor pequeno da TR. Em comparação com outras aplicações financeiras de renda fixa, esse retorno é considerado baixo. Por isso, a poupança tem perdido espaço para outros investimentos.
Investidores buscam alternativas mais rentáveis
Com a taxa Selic em um patamar elevado, outros produtos de renda fixa passaram a oferecer rentabilidade maior que a poupança. Aplicações como CDBs, LCIs, LCAs e títulos do Tesouro Direto têm se destacado entre os investidores que buscam segurança, mas também querem um rendimento melhor. Esses investimentos são atrelados a índices como o CDI, que acompanha de perto a taxa Selic, garantindo retornos mais altos.
Diante desse cenário, muitos brasileiros decidiram tirar dinheiro da poupança e aplicar em outras alternativas mais vantajosas. Essa migração é uma das principais causas para o resultado negativo acumulado em 2025. Mesmo entre pessoas com perfil mais conservador, cresce a preferência por opções que garantem maior rendimento com riscos controlados.
Poupança ainda é usada como reserva de emergência
Apesar da perda de atratividade, a poupança continua sendo muito utilizada por milhões de brasileiros. Sua simplicidade, isenção de Imposto de Renda e a possibilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento são características que a tornam uma aplicação conveniente para quem quer manter uma reserva de emergência. Para muitos, essa liquidez imediata compensa a rentabilidade mais baixa.
O comportamento nos próximos meses vai depender principalmente da trajetória da taxa de juros, da confiança do consumidor e da evolução da inflação. Caso os juros comecem a cair, a diferença entre o rendimento da poupança e das demais aplicações pode diminuir, o que talvez contribua para estancar a saída de recursos.
Embora o desempenho de junho tenha sido positivo, o resultado do primeiro semestre ainda é motivo de preocupação. A perda acumulada de quase R$ 50 bilhões e a queda expressiva em relação ao mesmo mês de 2024 mostram que a poupança segue enfrentando dificuldades para recuperar a confiança dos investidores.
Mesmo que volte a registrar saldos positivos nos próximos meses, a caderneta ainda precisa se adaptar a um cenário de maior concorrência e mudanças no comportamento dos aplicadores. A poupança segue como uma opção segura e acessível, mas sua rentabilidade reduzida em tempos de juros altos limita sua competitividade.
Para quem quer preservar o capital com ganhos maiores, o mercado oferece alternativas mais atrativas. A recuperação nos últimos meses pode ser um sinal de estabilização, mas ainda está longe de indicar uma reversão definitiva na tendência de perda de recursos.


