O setor agropecuário brasileiro registrou um forte aumento nos pedidos de recuperações judiciais no primeiro trimestre de 2025. De acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 15 de julho, pela Serasa Experian, foram feitas 389 solicitações entre janeiro e março deste ano.

O número representa uma alta de 44,6% em comparação com o mesmo período de 2024, que teve 269 pedidos. Na comparação com o último trimestre do ano passado (320 pedidos), o crescimento foi de 21,5%.
Os dados revelam um cenário preocupante: produtores e empresas do agronegócio enfrentam cada vez mais dificuldades para manter as contas em dia. Com margens de lucro baixas e crédito mais difícil de conseguir, muitos veem a recuperação judicial como uma opção. Essa alternativa ajuda a reorganizar dívidas e evitar a falência.
Produtores pessoa física são os que mais pediram recuperações judiciais
Entre os segmentos analisados, os produtores rurais que atuam como pessoa física foram os que mais sofreram no início do ano. No total, 195 produtores desse grupo entraram com pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre.
Isso representa um crescimento de 83,9% em relação ao mesmo período do ano passado, que teve 106 solicitações. Em relação ao último trimestre de 2024, o aumento foi de 39,2%, já que haviam sido registrados 140 pedidos.
Esses produtores geralmente têm estrutura menor, operam com pouca reserva financeira e enfrentam maiores barreiras para conseguir crédito no mercado. Muitos também não possuem posse formal da terra, o que dificulta ainda mais a obtenção de financiamento. Diante disso, ficam mais expostos a variações de preço e condições climáticas adversas, fatores comuns na atividade agropecuária.
Pessoa jurídica também sente impacto
Os produtores que atuam como pessoa jurídica também apresentaram aumento nos pedidos. No primeiro trimestre de 2025, houve 113 pedidos de recuperação judicial.
Isso é um aumento em relação aos 110 pedidos no último trimestre de 2024. Também é maior que os 86 pedidos no mesmo período do ano passado. Isso representa um crescimento anual de 31%.
Entre os setores mais afetados dentro dessa categoria estão:
- Cultivo de soja, com 59 pedidos;
- Criação de bovinos, com 42 solicitações.
Essas atividades enfrentam altos custos de produção, além de desafios logísticos e de mercado. A queda no preço de algumas commodities e o aumento dos preços de insumos têm diminuído a rentabilidade. Isso torna a operação mais arriscada para muitos produtores.
Empresas da cadeia agroindustrial também recorrem à Justiça
Além dos produtores rurais, empresas da agroindústria também pediram recuperação judicial. Isso inclui processadoras, fornecedoras de insumos, transportadoras e cooperativas. No primeiro trimestre deste ano, foram 81 solicitações.
Esse número mostra um aumento de 15,7% em relação ao último trimestre de 2024, que teve 70 pedidos. Também houve um crescimento de 5,1% em comparação com o mesmo período do ano passado, que teve 77 pedidos.
Essas empresas dependem diretamente do desempenho dos produtores e da saúde financeira do setor como um todo. Com o aumento da inadimplência e atrasos nos pagamentos, muitas empresas enfrentam problemas financeiros. Elas têm dificuldades para vender sua produção. Por isso, recorrem à recuperação judicial. Essa é uma forma de ganhar tempo para se reorganizar.
Apesar do crescimento, o total de pedidos ainda é pequeno. Ele representa uma parte pequena dos produtores que acessam crédito no Brasil. Nos últimos dois anos, foram cerca de 1,4 milhão de produtores. No entanto, o ambiente continua desafiador, com crédito mais restrito, alta nos custos operacionais e volatilidade nos preços das commodities.
A tendência é que esse cenário continue pressionando o setor nos próximos meses. Por isso, produtores, empresas e instituições financeiras precisam estar atentos.
Diante do agravamento das dificuldades no campo, a recuperação judicial tem sido cada vez mais usada como estratégia para manter a atividade em funcionamento. Se o ritmo de crescimento dos pedidos se mantiver nos próximos trimestres, o tema deve ganhar ainda mais relevância nas discussões sobre o futuro do agronegócio brasileiro.


