As famílias brasileiras vão continuar pagando mais caro na conta de luz durante o mês de setembro, com bandeira vermelha. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável por regular e fiscalizar o setor elétrico no país, anunciou que vai manter a bandeira tarifária vermelha no patamar 2, que é o nível mais alto do sistema de bandeiras.

O cálculo pode parecer complicado, mas, em resumo, quanto mais energia uma casa consome, maior será o peso desse acréscimo no bolso.
Por que a conta continua mais cara?
Segundo a Aneel, a principal razão é a falta de chuvas. O Brasil depende muito das usinas hidrelétricas, que funcionam com a água acumulada nos reservatórios. Como o período recente foi de chuvas abaixo da média, os reservatórios não estão cheios o suficiente para gerar energia de forma abundante e barata.
Com pouca água disponível, é preciso ligar as usinas termelétricas, que produzem energia queimando combustíveis, como óleo e gás natural. Esse tipo de geração é bem mais caro. Por isso, a conta de luz fica mais pesada para todo mundo.
Em agosto, já estava em vigor a bandeira vermelha 2. No mês anterior, julho, a cobrança era um pouco menor, com a bandeira vermelha no patamar 1. Isso mostra que a situação de falta de chuvas não melhorou e continua pressionando os custos.
O que são as bandeiras tarifárias?
Muita gente ainda tem dúvidas sobre esse sistema. As bandeiras tarifárias foram criadas em 2015 pela Aneel. A ideia é bem simples: mostrar para o consumidor, de forma clara, se a energia naquele momento está custando mais ou menos para ser produzida.
Antes desse sistema, a pessoa só sentia o aumento na conta uma vez por ano, quando era feito o reajuste da tarifa. Hoje, com as bandeiras, o aviso é imediato. Assim, a conta de luz já mostra a cobrança extra e a família pode tentar economizar no consumo para não gastar tanto.
Funciona assim:
- Bandeira verde: não há cobrança extra. Indica que a energia está sendo produzida em condições favoráveis;
- Bandeira amarela: significa alerta, com custo um pouco maior. Nesse caso, já existe um acréscimo na conta;
- Bandeira vermelha patamar 1: mostra que a situação piorou e o custo está mais alto;
- Bandeira vermelha patamar 2: é o nível mais caro, usado em momentos de maior dificuldade para gerar energia, como agora;
Esse sistema também busca incentivar o uso consciente da eletricidade. Quando as famílias percebem que a bandeira está vermelha, sabem que é hora de redobrar os cuidados para evitar desperdícios.
Por que isso acontece no Brasil?
O Brasil tem uma matriz energética que depende bastante das hidrelétricas, ou seja, da água dos rios e reservatórios. Quando chove bastante, a energia é abundante e barata. Porém, quando o clima fica mais seco, como no caso atual, a conta sobe porque precisamos recorrer a outras fontes mais caras.
Além disso, ainda que existam investimentos em energia eólica e solar, que vêm crescendo nos últimos anos, essas fontes não são suficientes para substituir as hidrelétricas em períodos de crise hídrica.
O que o consumidor pode fazer?
Com a bandeira vermelha patamar 2, cada aparelho ligado em casa pesa ainda mais no orçamento familiar. Por isso, pequenas atitudes podem ajudar a reduzir a conta. Algumas dicas práticas são:
- Apagar a luz ao sair dos cômodos;
- Evitar deixar aparelhos eletrônicos ligados em modo de espera (o famoso “stand by”);
- Juntar roupas para lavar de uma só vez, usando a máquina de forma mais eficiente;
- Reduzir o tempo no banho elétrico, que é um dos grandes vilões da conta de luz;
- Trocar lâmpadas antigas por modelos de LED, que gastam bem menos energia.
Essas ações, embora pareçam pequenas, podem fazer diferença no fim do mês, principalmente agora que o custo extra da bandeira está ativo.


