A Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage) chama atenção para um risco crescente no sistema elétrico brasileiro: a possível violação dos critérios de segurança já em 2026, devido à insuficiência de potência disponível e à falta de flexibilidade operacional.

Brasil tem risco iminente de segurança energética
Em dezembro de 2024, a presidente da Abrage, Marisete Pereira, advertiu que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indica uma necessidade adicional de quase 5 GW de potência até 2025 para garantir a confiabilidade do sistema elétrico.
Esse cenário evidencia um déficit na capacidade de atender ao horário de demanda de ponta, sobretudo diante da crescente participação de fontes intermitentes, como solar e eólica.
Matriz energética e intermitência: desafio à vista
As fontes renováveis intermitentes crescem na matriz elétrica brasileira, mas sua geração ocorre de forma irregular ao longo do dia, com excessos em alguns horários e falta em outros. A redução da participação de hidrelétricas – principais geradoras capazes de ajustar rapidamente sua produção – compromete a flexibilidade do sistema. Atualmente, as hidrelétricas representam 47% da matriz elétrica, frente a 83% de uma década atrás.
Aversão ao risco mantida, mas preocupação persiste
Em 30 de julho de 2025, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu manter, para 2026, os mesmos parâmetros de aversão ao risco aplicado em 2025. Segundo o Ministério de Minas e Energia, mesmo com chuvas abaixo da média, os reservatórios se mantêm estáveis e apresentam armazenamento superior a 65%, o que reforça a robustez do Sistema Interligado Nacional.
A Abrage considera a decisão positiva, pois oferece segurança jurídica aos investidores e favorece custos operacionais equilibrados.
Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP)
Como resposta ao risco identificado, a Abrage advoga pela realização de um novo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), que remunera usinas por estarem prontas para gerar em momentos críticos. Diferentemente dos leilões convencionais, este modelo garante disponibilidade imediata de potência.
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Potencial hidrelétrico sob aproveitamento
A Abrage defende fortemente a inclusão das hidrelétricas nesse leilão. O país possui elevado potencial de expansão: até 86,4 GW podem ser adicionados por meio de modernização, repotenciação, construção de novas usinas e adoção de usinas reversíveis (funcionam como baterias de água).
Além disso, as hidrelétricas são capazes de responder a rampas de carga extremas com agilidade: em 19 de janeiro de 2025, houve uma variação de geração hidrelétrica de 45 GW em poucas horas, representando cerca de 74% da geração total naquele dia.
Subsídios e distorções regulatórias
Marisete Pereira critica a atual estrutura de subsídios, que favorece fontes que apenas entregam energia – como solar e eólica – enquanto as hidrelétricas, que oferecem serviços essenciais como flexibilidade e armazenamento, não recebem incentivos e ainda pagam royalties pelo uso de recursos hídricos. Isso, segundo ela, impacta injustamente os consumidores e distorce as decisões de investimento no setor.
Soluções em destaque: armazenamento e hidrelétricas reversíveis
Para enfrentar a intermitência crescente, a Abrage recomenda investimentos em usinas reversíveis – que atuam como reservatórios – e em baterias como soluções de curto prazo. As hidrelétricas, com seu armazenamento natural, são apontadas como opção mais eficiente e sustentável.
Panorama técnico e estratégico
O setor enfrenta o desafio de conciliar crescimento da demanda, integração de renováveis e manutenção da segurança operativa. O LRCAP emerge como ferramenta relevante para garantir potência de prontidão. A expansão sob modal hidrelétrico pode agregar flexibilidade, confiabilidade e modicidade tarifária


