O custo de alimentos básicos como arroz, feijão, café, tomate e batata têm diminuído nos últimos meses, trazendo algum alívio para quem sente o peso das compras do dia a dia. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação dos preços no país, o grupo de alimentação e bebidas apresentou queda desde junho, algo que não acontecia desde setembro de 2024.
O feijão caiu 2,29% e o café 1,01%. No acumulado do ano, o preço do arroz já recuou 16,94% e o feijão, 3,22%. No caso dos hortifrútis, levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater–MG) apontou queda nos preços de cenoura, batata, cebola e alface no varejo.

A redução não ocorre por um único motivo. Fatores como clima favorável, maior oferta de produtos e até a dinâmica natural do mercado ajudam a explicar. Quando um produto sobe muito de preço por um período prolongado, é comum que haja uma correção e ele volte a patamares mais baixos. Foi o que aconteceu neste segundo semestre, após um início de ano marcado por forte alta nos alimentos.
Impacto maior para quem ganha menos
A queda recente nos preços traz um alívio mais significativo para as famílias de renda baixa e muito baixa, que gastam uma parte maior do orçamento com comida. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, em julho, o barateamento dos mantimentos no domicílio ajudou a compensar o aumento da conta de luz, que subiu 3% com a ativação da bandeira tarifária vermelha patamar 2.
Para quem ganha menos, a alimentação representa um peso muito maior no cálculo da inflação. Por isso, quando itens básicos ficam mais baratos, o efeito no orçamento é sentido mais rapidamente. No entanto, esse benefício não é suficiente para anular os aumentos acumulados nos últimos 12 meses, já que produtos como carnes, aves, ovos e óleo de soja continuam pressionando os gastos das famílias.
Conforme o Ipea, mesmo com a queda de preços em julho, as famílias de renda muito baixa e baixa registram inflação de 3,4% no ano, acima da média das famílias de renda alta, que acumulam 3,0%. No acumulado de 12 meses, a diferença se mantém: 5,4% para os mais pobres contra 5,0% para os mais ricos.