O dólar segue em movimento de queda em 2025, tanto em relação ao real quanto frente a outras moedas internacionais. Nesta segunda-feira, 18 de agosto, a cotação comercial da moeda norte-americana ficou em R$ 5,44. O valor representa o menor patamar em 14 meses e reforça o debate sobre até onde a moeda pode cair. A pergunta que muitos brasileiros fazem é se veremos novamente a moeda negociada próxima de R$ 2, como ocorreu até o início da década passada.

Queda do dólar também ocorre no exterior
A desvalorização do dólar não é um fenômeno restrito ao Brasil. O DXY, índice que compara o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, acumula queda de cerca de 10% em 2025.
Em entrevista ao portal Bora Investir, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que a desvalorização registrada no primeiro semestre foi a maior desde 1973, quando o sistema de Bretton Woods foi abandonado e o padrão-ouro chegou ao fim.
No Brasil, o movimento é reforçado pela valorização do real. De acordo com levantamento da Elos Ayta Consultoria, a Ptax — taxa média do câmbio calculada pelo Banco Central — apresentou recuo de 12,38% em 2025 até o dia 8 de agosto, e de 3,41% no acumulado de 12 meses.
O que explica a queda da moeda
Especialistas apontam que vários fatores contribuem para o cenário atual. Entre os principais, está a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que o Brasil mantém a taxa Selic elevada.
José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School, também explica que a diferença entre os juros dos dois países torna o Brasil mais atrativo para investidores. “Com a taxa de juros americana em processo de queda e a Selic brasileira em 15% ao ano, o spread continua alto. Isso estimula a entrada de capital estrangeiro no país”, afirma ao Bora Investir.
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Além disso, os riscos fiscais brasileiros estão sendo precificados de forma menos intensa pelos analistas. Isso significa que, ao menos no curto prazo, o mercado tem enxergado uma situação de maior estabilidade.
Cenários possíveis para o câmbio
Apesar da trajetória recente, analistas lembram que prever a cotação da moeda é uma tarefa complexa. Bruno Shahini destaca que o mais adequado é trabalhar com cenários.
Em um contexto mais positivo para o real, caso os juros brasileiros permaneçam elevados por mais tempo e o Federal Reserve inicie cortes a partir de setembro, o dólar poderia se manter entre R$ 5,40 e R$ 5,30. Já em um cenário de pressão inflacionária nos Estados Unidos, que obrigue o banco central americano a manter os juros altos, a moeda pode retomar força e ultrapassar R$ 5,50.
O dólar pode voltar a R$ 2?
O questionamento sobre a possibilidade de retorno à casa dos R$ 2 é recorrente, mas pouco provável. José Carlos de Souza Filho avalia que esse movimento exigiria uma combinação rara de fatores. “Seria necessário um superávit fiscal expressivo, forte valorização das commodities exportadas pelo Brasil e mudanças no sistema monetário global. É quase impossível que ocorra em curto ou médio prazo”, afirma.
Bruno Shahini complementa que, para isso acontecer, seria preciso reverter anos de perda de poder de compra do real. “O cenário mais provável envolveria uma valorização real muito significativa, associada a entrada maciça de capital estrangeiro e inflação brasileira muito inferior à americana, por um período prolongado. Ambos os cenários são altamente improváveis no contexto atual”, explica.
O que seria necessário para uma valorização tão forte
Entre os elementos que poderiam levar a uma valorização estrutural do real estão reformas econômicas profundas no Brasil, como tributária, administrativa e previdenciária, crescimento sustentado do PIB em torno de 5% ao ano e uma Selic inferior a 5%.
No entanto, especialistas avaliam que mesmo uma combinação tão favorável não seria suficiente por si só. Seria necessário, também, um cenário internacional bastante adverso para os Estados Unidos, incluindo crise da dívida, inflação elevada e perda de relevância do dólar como moeda de referência global.
Esse conjunto de fatores é visto como possível, mas pouco provável pelos economistas, o que mantém distante a perspectiva de retorno da moeda americana a patamares como o de R$ 2.


