O Tesouro Direto, programa do governo federal que permite que qualquer pessoa invista em títulos públicos pela internet, vai passar por mudanças importantes a partir do próximo ano. A principal novidade é que será possível comprar e vender títulos em qualquer dia e a qualquer hora, inclusive aos finais de semana e feriados, sem depender do chamado “horário comercial”.

Além disso, o Tesouro Nacional anunciou a criação de um novo tipo de título voltado especificamente para quem deseja formar uma reserva de emergência. Essa aplicação será indexada à Selic (a taxa básica de juros do país) e terá a vantagem de não sofrer o que se chama de “marcação a mercado”. Em palavras simples, isso significa que o investidor não correrá o risco de perder parte do dinheiro caso precise resgatar antes da data de vencimento.
A combinação dessas mudanças deve facilitar a entrada de famílias que ainda não investem. Muitas vezes, trabalhadores só têm tempo para cuidar de suas finanças fora do horário de expediente, e a disponibilidade 24 horas pode ser um atrativo extra para quem deseja começar.
O que muda com a negociação 24 horas
Hoje, quem investe no Tesouro Direto só pode comprar ou vender títulos durante os dias úteis e dentro de horários pré-determinados. Isso pode ser um problema para pessoas que trabalham em tempo integral e não conseguem acompanhar o mercado nesse período.
Com a mudança, o sistema ficará disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, permitindo que o investidor faça aplicações e resgates a qualquer momento, como já acontece com alguns serviços de bancos digitais e corretoras.
O impacto dessa mudança é grande porque traz mais liberdade e conveniência. Para o pequeno investidor, isso significa que o dinheiro aplicado no Tesouro estará acessível de forma muito mais prática. Para o governo, representa a chance de atrair novos participantes, já que o programa fica mais próximo da realidade de quem utiliza serviços financeiros digitais.
O novo título para reserva de emergência
Outro destaque é a criação de um título específico para formar a chamada “reserva de emergência”. Esse é o dinheiro que cada pessoa deve guardar para situações inesperadas, como perda de emprego, problemas de saúde ou consertos urgentes em casa.
Esse novo título terá rendimento atrelado à Selic, ou seja, vai acompanhar de perto a taxa básica de juros do Brasil. A grande diferença em relação aos títulos atuais é que ele não terá a chamada “marcação a mercado”.
Na prática, a marcação a mercado é um mecanismo que ajusta diariamente o preço de um título conforme as condições de juros do país. Isso significa que, em alguns casos, o investidor pode resgatar menos do que aplicou se vender o título antes do prazo final. Para quem está construindo uma reserva de emergência, esse risco é indesejado.
Com a novidade, o governo pretende oferecer um produto seguro e estável, em que a pessoa sabe que não terá perdas mesmo que precise do dinheiro de forma antecipada. Isso o torna parecido com a poupança em termos de segurança, mas com a vantagem de render mais.
Tesouro Direto cresce e bate recordes
As mudanças chegam em um momento de expansão do Tesouro Direto. De acordo com dados da B3, que é a bolsa de valores responsável por operar o programa, o número de investidores atingiu 3 milhões no segundo trimestre de 2025. Isso representa um crescimento de 14% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando havia 2,7 milhões de pessoas cadastradas.
O valor total aplicado também subiu: passou de R$ 136,5 bilhões para R$ 169,9 bilhões, um aumento de 24%. A maior parte desse dinheiro está concentrada em dois tipos de títulos: o Tesouro IPCA, que protege contra a inflação, e o Tesouro Selic, que acompanha os juros básicos da economia. Juntos, eles representam mais de 70% do total.