As tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade digital dispararam no Brasil no início de 2026, acendendo um alerta para consumidores e empresas. Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que foram registradas 1,49 milhão de tentativas entre janeiro e março, um aumento de 36,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo a empresa, se todas essas ações tivessem sido bem-sucedidas, os prejuízos poderiam chegar a R$ 1,98 bilhão. O levantamento faz parte do Mapa da Fraude, estudo que monitora movimentações suspeitas em operações digitais, como abertura de contas, contratação de serviços e validação de identidade pela internet.
O setor financeiro foi o principal alvo dos criminosos nos três primeiros meses do ano. De acordo com o estudo, seis em cada dez tentativas de fraude ocorreram em bancos, empresas de cartão, plataformas de pagamento e instituições de crédito.
Os meios de pagamento lideraram o ranking, com 644,5 mil ocorrências registradas. Em seguida aparecem o setor de telefonia, com 313,2 mil casos, e os bancos e administradoras de cartões, que somaram 259,1 mil tentativas. Esses golpes costumam envolver o uso de dados pessoais roubados ou falsificados para abrir contas, solicitar crédito ou contratar serviços em nome de outras pessoas.
A região Sudeste concentrou 38,5% de todas as tentativas identificadas no país durante o trimestre. Sozinho, o estado de São Paulo respondeu por mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total nacional.
O levantamento também chama atenção para o avanço acelerado dos golpes em outras regiões. Norte e Centro-Oeste registraram crescimento superior a 100% na comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando que a atuação dos criminosos está cada vez mais espalhada pelo país.
Golpes ficam mais sofisticados e organizados
Além do aumento no número de ocorrências, a Serasa Experian identificou sinais de maior organização por parte dos fraudadores. Entre janeiro e março, foram localizados mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos usados para aplicar golpes, alta de 8,3% em um ano.
A empresa também monitorou 19,7 milhões de mensagens relacionadas a fraudes, uma média de 152 por minuto. Outro dado que chamou atenção foi a existência de quase 2 mil grupos dedicados à troca de informações, ferramentas e conteúdos fraudulentos. O número representa um salto de 139% em relação ao ano passado.
Segundo o estudo, os golpes deixaram de ser ações isoladas e passaram a fazer parte de uma estrutura mais organizada, que utiliza redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais para ampliar o alcance das tentativas.
Comércio eletrônico também entra na mira
O crescimento das compras online também tem atraído a atenção dos criminosos. De acordo com o levantamento, mais de 368 mil transações realizadas em lojas virtuais foram classificadas como tentativas de fraude no primeiro trimestre. Isso significa que quase uma em cada cem compras analisadas apresentou algum indício de irregularidade. As ferramentas de prevenção utilizadas pelas empresas evitaram prejuízos estimados em R$ 337,9 milhões durante o período.
Outro dado relevante é o valor médio dessas operações. Enquanto uma compra legítima costuma ter ticket menor, as tentativas de fraude registraram valor médio de R$ 917,52, cerca de 62% acima das transações consideradas normais.
Entre os segmentos mais afetados aparecem produtos de beleza, com 33,7 mil ocorrências, seguidos por calçados, com 29,4 mil, e itens de saúde, que somaram 18,9 mil casos.
Já quando se observa o risco proporcional, os celulares lideram a lista. Nesse segmento, houve uma tentativa de fraude para cada 32 compras legítimas realizadas.
Inteligência artificial preocupa especialistas
O estudo também aponta tendências que devem aumentar os desafios no combate aos golpes digitais nos próximos meses. Entre elas estão as chamadas identidades sintéticas, criadas a partir da combinação de informações verdadeiras e falsas para simular uma pessoa inexistente, além da chamada “fraude como serviço”, modelo em que criminosos vendem ferramentas e métodos para aplicação de golpes.
A inteligência artificial também entrou no radar das empresas de segurança digital. A tecnologia pode ser usada para criar mensagens mais convincentes, perfis falsos mais realistas e páginas fraudulentas com aparência cada vez mais próxima das originais.
Com a digitalização de serviços bancários, compras online e cadastros pela internet, especialistas reforçam a importância de adotar medidas de proteção, como ativar a autenticação em dois fatores, desconfiar de links recebidos por mensagens e verificar sempre a origem de sites e aplicativos antes de informar dados pessoais.