Quase 60% dos millennials e da geração Z reconhecem que a vida social tem atrapalhado o alcance de seus objetivos financeiros. O dado é de uma pesquisa realizada pelo Ally Bank nos Estados Unidos, que mostra como o custo para manter encontros com amigos e atividades de lazer pode comprometer o orçamento de jovens adultos.
O levantamento indica que, em média, os entrevistados gastam cerca de US$ 250 por mês com saídas e encontros sociais. Convertido para o real, o valor representa aproximadamente R$ 1.384 por mês, considerando a cotação de R$ 5,54 do dólar em agosto de 2025.
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Excesso de despesas com vida social mostra que jovens não fazem planejamento
O estudo mostra que apenas 18% dos jovens consultados possuem um orçamento específico para atividades sociais. Ainda assim, 69% dos entrevistados afirmam que se reúnem com os amigos presencialmente ao menos uma vez por semana.
Entre os millennials e integrantes da geração Z, 42% admitem que gastam além do que deveriam com eventos sociais em diversos meses ao longo do ano. Essa prática compromete metas como quitar dívidas, formar uma reserva de emergência ou investir para o futuro.
A norte-americana Emmy, de 31 anos, é um exemplo dessa realidade. Moradora de Los Angeles, ela acumula uma dívida no cartão de crédito superior a US$ 28 mil, o equivalente a R$ 155.072. Desde os 18 anos, ela vive em um ciclo de endividamento: paga o saldo do cartão e logo atinge o limite novamente.
Em entrevista à CNBC, Emmy afirmou que os gastos excessivos com amigos contribuíram para sua situação atual. Segundo ela, sempre teve o hábito de bancar a conta em bares e restaurantes, oferecendo ajuda financeira em situações que não se concretizavam em reembolso.
Bem-estar vs controle financeiro
Segundo Jack Howard, chefe de bem-estar financeiro do Ally, gastar com amigos pode ser benéfico para o bem-estar emocional. No entanto, o alerta está no desequilíbrio. “É quando você mais vai sentir retorno no seu bem-esta. Mas aí é que mora o perigo, porque estamos vendo que 42% das pessoas estão gastando além da conta”, afirma.
Howard destaca a importância de incluir os gastos sociais no orçamento mensal, ainda que sejam vistos como momentos de lazer. A especialista recomenda pensar sobre as prioridades pessoais e ajustar outros setores do orçamento, se necessário, para manter o equilíbrio financeiro.
Alternativas econômicas
A pesquisa também revela que apenas 23% dos jovens entrevistados buscam alternativas de lazer mais acessíveis, como atividades gratuitas ou de baixo custo. A sugestão dos especialistas é retomar o básico e valorizar a presença dos amigos, mais do que os gastos envolvidos nas experiências.
A própria Emmy relatou que está tentando mudar os hábitos, sugerindo aos amigos encontros com menor custo. Ela reconhece, no entanto, que esse processo de mudança não é simples, especialmente quando há vergonha em expor a realidade financeira para pessoas próximas.
Influências emocionais nos hábitos de consumo
O estudo reforça que a relação emocional com o dinheiro influencia diretamente os hábitos de consumo. Howard explica que sentimentos como vergonha ou medo de julgamento estão associados à criação e a experiências da infância. Compreender esses fatores pode ser o primeiro passo para adotar novos comportamentos financeiros.
Para quem enfrenta dificuldades em reorganizar a vida financeira, o apoio de profissionais é indicado. Planejadores financeiros certificados ou terapeutas financeiros podem ajudar a criar estratégias adaptadas ao perfil e às necessidades de cada indivíduo.
A pesquisa do Ally Bank destaca a importância de equilibrar bem-estar e saúde financeira, especialmente em uma fase da vida em que a pressão social e os compromissos econômicos se intensificam.


