O preço da carne bovina caiu 0,43% em agosto no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar dessa leve redução, os valores seguem elevados quando comparados aos últimos anos.

O cenário indica que os preços devem voltar a subir nos próximos meses. A combinação de fatores como exportações em ritmo acelerado, aumento do consumo interno e previsão de queda no número de bois abatidos em 2026 e 2027 deve pressionar ainda mais o mercado.
Cortes que mais encareceram
Entre os cortes bovinos, o acém liderou a lista de aumentos no último ano, com alta de 29,1%. Em seguida aparecem o peito (27,4%), o músculo (24,6%) e a paleta (24%). A costela subiu 23,6%, e a alcatra, 23,5%. Mesmo cortes de maior valor, como o filé-mignon e a picanha, também ficaram mais caros, com aumentos de 19,1% e 12,1%, respectivamente.
Esses números ajudam a explicar por que o consumidor tem sentido dificuldade para manter a carne no prato do dia a dia. Mesmo com pequenas quedas registradas em alguns meses, o patamar atual é muito mais alto do que o observado antes da disparada dos preços.
Exportações em alta
Um dos principais fatores que sustentam os preços elevados é o mercado externo. Mesmo após a criação de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, a exportação brasileira de carne segue forte. Os frigoríficos rapidamente se adaptaram e direcionaram parte da produção para outros países.
Em agosto, os Estados Unidos deixaram de ser o segundo maior comprador e caíram para a quinta posição. Hoje, a lista de principais destinos da carne brasileira é liderada pela China, seguida por México, Rússia e Chile. O México, em particular, teve destaque: entre janeiro e julho, importou três vezes mais carne do Brasil do que no mesmo período do ano anterior.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que, em 2025, o Brasil exportará 12% a mais de carne do que em 2024. Isso significa que uma fatia ainda maior da produção nacional será enviada para fora, deixando menos oferta no mercado interno.
Tendência de alta no fim do ano
Os próximos meses devem marcar uma reversão da queda registrada em agosto. A chegada do último trimestre do ano costuma elevar o consumo de carne bovina no Brasil, impulsionado pelas festas de fim de ano e pela injeção de renda extra com o pagamento do 13º salário.
Além disso, a expectativa é de que a disponibilidade de bois para abate caia nos próximos dois anos. A redução da oferta, somada à alta demanda internacional, deve intensificar a pressão sobre os preços.
Outro ponto que pode pesar é a situação dos Estados Unidos, onde também se projeta queda na produção de carne bovina. A menor oferta no mercado norte-americano tende a aumentar a procura por fornecedores como o Brasil, o que reforça a tendência de valorização no mercado internacional.
Carne mais cara no prato do brasileiro
Com a renda estagnada e os preços em alta, a carne bovina se tornou menos acessível para grande parte da população. Muitos consumidores passaram a substituir cortes tradicionais por alternativas mais baratas, como frango, ovos e carne suína.
Nos últimos anos, a inflação da carne superou de forma significativa o aumento médio dos salários, o que ampliou a sensação de que o produto está fora do alcance da mesa de muitos brasileiros. Mesmo que haja quedas pontuais, a diferença acumulada faz com que a redução não seja suficiente para que o consumidor perceba alívio no bolso.


