Metade (51%) dos brasileiros das classes A, B e C têm dívidas no cartão de crédito, de acordo com a pesquisa “A relação dos brasileiros com dinheiro”, realizada pela Nexus em agosto de 2025. O levantamento entrevistou 1.010 pessoas com idade a partir de 16 anos em todas as regiões do país.
A pesquisa mostra que o cartão de crédito é o principal tipo de endividamento, seguido por empréstimos pessoais (28%), financiamentos de imóveis ou veículos (17%), dívidas no cheque especial (8%) e outros tipos de débitos (2%).
A incidência de dívidas no cartão é maior entre brasileiros de 25 a 40 anos, com 66% de endividamento nesse grupo, e entre moradores do Nordeste, onde 58% relataram essa situação.
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Empréstimos mais comuns entre os idosos e as classes C e D
Os empréstimos pessoais aparecem com maior frequência entre pessoas acima de 60 anos, atingindo 44% desse público. Já a classe A se destaca por ser a única em que mais da metade (52%) afirmou não ter nenhum tipo de dívida.
Entre aqueles que têm débitos, 44% relatam comprometer mais de um mês de renda para quitar as obrigações financeiras. No caso dos mais velhos, esse índice é ainda maior, chegando a 58%.
Preocupação com o futuro financeiro
Outro dado apontado pela Nexus é que 63% dos brasileiros das classes A, B e C estão preocupados com dinheiro para o futuro. Dentro desse grupo, 35% afirmam estar muito preocupados, 20% mais ou menos preocupados, 8% pouco preocupados e 6% não souberam ou não quiseram responder. Apenas 2% disseram não ter nenhuma preocupação em relação às finanças futuras.
As classes A, B e C, segundo o Critério Brasil da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep), reúnem cerca de 120 milhões de pessoas. A renda média dessas faixas varia de R$ 2,4 mil a R$ 26,8 mil mensais.
Dificuldade em poupar
A pesquisa revela que 48% dos entrevistados conseguem pagar todas as contas, mas não conseguem guardar dinheiro. Outros 30% afirmaram que, além de quitar os compromissos, ainda conseguem poupar.
Por outro lado, 11% precisam recorrer a empréstimos ou ajuda para pagar as despesas, 5% deixam uma ou mais contas para o mês seguinte e 6% não responderam. Somados, os grupos que não conseguem poupar, atrasam contas ou precisam de ajuda chegam a 64%.
De acordo com Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, essa situação torna parte dos brasileiros mais vulnerável a imprevistos financeiros.
Diferenças regionais e geracionais
O índice dos que pagam contas, mas não conseguem guardar dinheiro, é mais alto entre jovens (55%), moradores do Sudeste (53%) e pessoas com escolaridade até o ensino médio (51%).
Entre moradores do Nordeste e brasileiros com até ensino médio, 7% afirmaram que precisam adiar contas por falta de dinheiro no mês.
Já nas regiões Norte e Centro-Oeste, a realidade é diferente: 43% dos entrevistados declararam que conseguem administrar as contas de forma que ainda sobra dinheiro.
Metodologia do levantamento
A pesquisa da Nexus foi realizada de forma virtual entre os dias 8 e 9 de agosto de 2025. Foram entrevistadas 1.010 pessoas das classes A, B e C em todos os 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.


