O Banco Central (BC) informa que, mesmo com a popularização de meios digitais de pagamento, como o Pix, o volume de cédulas e moedas em circulação permanece relativamente estável. Segundo dados de julho de 2024, o valor em espécie em circulação era de aproximadamente R$ 345 bilhões.
Em entrevista à Exame, Carolina de Assis Barros, diretora de Administração do BC, disse que o montante de dinheiro em espécie em circulação em 2019 era de pouco mais de R$ 289 bilhões. Com a pandemia, esse valor subiu para cerca de R$ 362 bilhões, para depois recuar para R$ 327 bilhões recentemente.
O BC também reconhece que o Pix promoveu digitalização da economia, contribuindo para a redução do uso de dinheiro físico.
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As estimativas de queda e seus impactos
Em 2021, de janeiro a outubro daquele ano, houve uma queda de cerca de R$ 40 bilhões em espécie em circulação, o que representava uma redução de 10,5% em relação ao final do ano anterior, atribuída em parte ao uso crescente do Pix.
Esse dado sugere que as pessoas passaram a manter menos dinheiro vivo ou sacar menos, porque podem pagar ou transferir digitalmente com maior facilidade. Essa mudança reduz custos de produção, transporte, armazenamento, segurança e manejo de cédulas e moedas.
O que não se sabe: valores precisos de economia
Apesar dessas evidências, não há até o momento dados públicos que mostrem quanto, em reais, exatamente o Banco Central está economizando em termos de fabricação, manutenção, distribuição ou outros custos associados à produção de papel-moeda devido ao Pix.
Algumas razões para essa lacuna são:
- O Banco Central não divulga custos unitários recentes de produção de cada tipo de cédula.
- Custos associados à logística, segurança, descarte ou substituição de cédulas danificadas são menos visíveis nos relatórios públicos.
- A adoção do Pix reduz transações em espécie, mas o dinheiro vivo ainda é forte em muitos tipos de uso, especialmente em áreas ou atividades informais.
Sustentabilidade ambiental e impactos indiretos
Mesmo sem números precisos da economia, vários impactos sustentáveis podem ser inferidos:
- Redução de matéria-prima usada para cédulas (papel especial, algodão, tintas, elementos de segurança) e para moedas (metais, lascas, insumos). Menos produção significa menor consumo de recursos.
- Menos transporte e logística, com menor movimentação de dinheiro físico entre bancos, pontos de saque ou entidades públicas, o que reduz emissões de carbono associadas ao transporte rodoviário ou aéreo.
- Menos desperdício de cédulas danificadas ou obsoletas, e menos necessidade de descarte ou reciclagem.
- Segurança e eficiência: menores custos com guarda-valor físico, vigilância, transporte blindado ou transporte seguro, risco de roubo ou falsificação também diminuem.
Limites para estimativas conservadoras
Para fazer uma estimativa razoável de quanto o BC ou o sistema financeiro economiza, seria necessário:
- Ter dados públicos atualizados sobre custo unitário das cédulas em circulação, custo de produção, de substituição e de distribuição.
- Saber quantas transações ou saques em espécie foram evitados pelo uso do Pix, ou quanto a demanda por espécie recuou.
- Avaliar custos logísticos, de segurança, transporte e manuseio (banqueiros, transporte extracartorial, caixas eletrônicos).
- Verificar os impactos da inflação, do valor de face das cédulas, sua durabilidade, e taxas de reposição por deterioração ou obsolescência.
O que se pode afirmar com certeza
Com base nos dados disponíveis, é possível afirmar que:
- O uso do Pix aumentou bastante desde seu lançamento, tornando-se o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, o que está ligado à redução relativa no uso de dinheiro físico.
- Apesar disso, a quantia total de dinheiro em espécie ainda é elevada e permanece em patamar de centenas de bilhões de reais.
- Então, embora exista economia de produção e operação associada à diminuição do uso de cédulas, essa economia não foi quantificada publicamente de forma clara pelo Banco Central.


